terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Filha de Peixe...

A minha mãe é um fenómeno. Não conheço ninguém que faça dos seus desastres pessoais comédias hilariantes com tanta facilidade, chega a ser de bradar aos céus.
Há uns tempos, resolveu mudar a instalação eléctrica lé de casa. Coisinha simples, achava ela. Eu, na altura, pensei seriamente em emigrar, já imaginando uma capricorniana que, mal a senhora que limpa a casa vira costas, se dedica a empurrar dois milímetros para o lado todos os objectos da sala, "porque não estão no sítio, que chatice", com dois homens a furar paredes e a esticar fios pela casa inteira.
Para ela, foi um pesadelo que durou tempo demais, fez barulho demais e custou muito mais do que estava previsto. Durante mais de uma semana, vociferou impropérios ao telefone e armou-se de esfregona e pano do pó para, no dia seguinte, estar tudo no caos anterior. Pensei que seria o fim da sua sanidade mental, ou o fim da vida dos incautos electricistas, das duas uma.
Trabalho feito, a minha progenitora andaria como se nada fosse... não fossem as piadinhas em que transformou uma semana de agruras: quando a chateiam, agora, diz que ignora e faz a sua cara de "curto-circuito". Genial! Como se não bastasse, no outro dia dizia-lhe que precisava de roupa, que estava frio aqui, e se ela não seria senhora de me oferecer umas camisolas felpudas no aniversário. Respondeu-me:"Para isso não há dinheiro, depois das obras. Mas, se quiseres, dispenso-te umas quantas tomadas das antigas, para lá enfiares os dedos ou a língua, e garanto-te que aqueces num instante!"
De onde é que vem o meu sentido de humor canino? Pois. Eu sabia que, se não emigrasse, qualquer coisa daquelas obras ia sobrar para mim...

1 comentário:

cantinhodacasa disse...

Adorei.
Boa e beijinho