À medida que vou crescendo, vou ficando mais... cautelosa? cobarde? não sei, das duas uma. A verdade é que nunca fui daquelas pessoas corajosas e optimistas, que levam tudo à frente com a convicção de que, o que quer que se proponham a fazer, sairá brilhante. Não. Nunca me meti em grandes cavalgadas, nunca pratiquei desportos radicais, nunca me arrisquei a fazer loucuras, sempre medi consequências previamente. Muitas vezes é a gente assim, certinha, que acontecem as piores tragédias e, quando ouço histórias dessas, sinto-me infinitamente revoltada. Infelizmente, a vida muitas vezes se assemelha ao tema já velhinho da Alanis, o Ironic.
Arrisco pouco em todas as áreas da vida: para não me habilitar a ficar sem emprego, acabei por assentar arraiais bem longe de Lisboa e da minha mãe. Para não me habilitar a ser completamente humilhada por rejeições directas, perdi alguns possíveis namorados. Para não me habilitar a ficar sem dinheiro para um rainy day, como tenho tantos na minha vida, continuo sem ter casa própria ou o carro que gostaria de conduzir.
Admiro as pessoas que encaram os desafios com tenacidade. Admiro as pessoas que, todos os dias, são felizes a lutar pelos seus próprios impossíveis, porque só essas os conseguem desmistificar e fazer jus ao termo da nike "Impossible is nothing". Admiro as pessoas que sonham alto, sem medo da queda de Ícaro. Admiro.
Porque eu detesto desafios. Detesto pôr-me à prova. Detesto falhar.
Em fases piores da vida, naquelas fases em que "não tinha vida", diziam-me muitas vezes, estabelece objectivos e vai atrás deles, e as listas que eu fazia eram simplesmente ridículas, com objectivos de fasquia embaraçosamente baixa e, ainda assim, rasgadas e atiradas ao lixo, como se apenas as palavras me pressionassem e empurrassem para o fracasso.
E agora, eis que me impingem um desafio. O desafio. Talvez aquele que mais me aterroriza e que me faz estar, desde sexta-feira, petrificada, sem que o congelamento advenha das baixas temperaturas e do frio polar que há quem diga que veio em vaga e eu não sei, porque não saí de casa. E, sozinha em casa durante o fim-de-semana, ouvi a voz do meu amigo D., que não vejo há anos, a repetir até ao expoente da loucura a sua máxima, em voz grave e séria, "Enfrenta o elefante, Jade!"
Há desafios pelos quais preferia não ter que passar. E há notícias às quais tenho que aprender a reagir com celeridade. Porque quando está tudo tão perdido que caíu no esquecimento e uma voz me diz, é agora ou nunca, convém começar a fazer por isso. Ontem.
7 comentários:
Não percebi nada. Era para perceber?
Só o essencial. Que estou em transe e não é por ainda não ter recebido o tal pacote que não atendo telfs, nem respondo a sms, por exemplo... beijinhos
Certo. Either way, também não seria com ele que passarias a atender. Tem só um pequeno 3º apontamento que te poderá levar a pegar no tlm ou e-mail.
Mas o que te quero dizer é isto: Além do teu ar de domadora de leões, não será nenhum elefante a impedir-te do que quer que seja. És esguia. Encara-o de frente e se não der para o saltar, passa por baixo. Ele demorará muito a dar a volta.
Beijo
Isto para ti não vai ser um desafio, é algo que vais conseguir fazer e fazer muito bem. Porque és excelente nessa parte.
Claro que podes ter a minha ajuda ... nesse "desafio".
beijinhos
PS: e o frio devias ver às 7:30.
Ok, Shadow, ainda não foi hoje, mas o embrulho já chegou. Só não às minhas mãos...
Mzinha: thanks, e claro que vou precisar da tua ajuda, nem que seja para me impedires de saltar pela janela com uma corda presa ao pescoço!
Bjos
Não deixei de fumar, Shadow, estou mesmo parva todos os dias... é do frio.
Bjos
JSJ
Dizem que os elefantes tem medo de ratos...
Só tens de descobrir o teu rato para enfrentar o elefante :-)
Ratinhos NIPT pra enfrentar os teus desafios.
Beijos NIPT
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