Uma grande amiga minha, que não dá confiança ao blogue, embora o leia, mandou-me um mail logo a seguir ao post anterior, com uma única pergunta: "Sabes, finalmente, o que tens a fazer nesses dias?" Ri-me.
Durante muito tempo, deixei-me ir, como se a tristeza não fosse apenas um estado de espírito mas um ser animado muito mais poderoso que eu. Deixava-me ir e ainda ajudava à festa. Achava que me "fazia bem chorar". Depois de dois ou três sustos de saúde agravados directa ou indirectamente por factores psicossomáticos comecei, gradualmente, a deixar-me disso.
Sim, P., sei finalmente o que fazer. Por isso, quando hoje senti picadas familiares nas linhas da pestanas, engoli em seco, evitei gavetas de cartas, bilhetes, fotos e lembranças, agarrei-me a uma caixa dos meus bombons favoritos, liguei o computador e só entrei em blogues que sei que são boa onda, evitando outros de que também gosto muito mas que podem ser perigosos em caso de tristeza aguda; ri-me, claro, depois abri o mail e fui dar com a tua pergunta. Agora, vou escrever, mas nada de pessoal, nada de introspecções, hoje. Vou escrever texto científico para um artigo que me pediram. E eu sei que é fútil, mas das coisinhas que mais me animam nestas alturas de tristeza sem motivo, é olhar para coisas bonitas. Por isso, expus aqui pelo quarto os presentes de Natal que a família me deu este ano... e é impossível não sorrir.
Cada um tem as suas estratégias. Uma amiga minha há uns anos dizia-me: vai ao campo apanhar flores e enfeita o teu quarto!... Nunca resultaria comigo, porque odeio passear sozinha, detesto exercício físico e não tenho paciência para sair de casa quando estou assim. O resultado seria que quando chegasse a casa com as flores, provavelmente arrancar-lhes-ia as pétalas com gargalhadas sádicas, tal a fúria.
Comigo funcionam cheiros, sons, sabores e futilidades. Respectivamente: o meu creme hidratante da Lancôme seguido do Code de Armani, que a minha mãe me ofereceu; os U2 a bombar no computador; a boca cheia de Mon Chéris, e a minha nova lingerie preta linda, linda, (e ainda na caixinha de cartolina hiper delicada) a piscar o olho ao futuro.
4 comentários:
Estava a ver que tinha de te ir comprar um impermeável - daqueles de ir ver a bola - como prenda de natal! Já não era sem tempo.
Divagar por sites boa onda, parece-me uma boa estratégia... aliás como tudo o que adicionaste a essa ideia. Eu seja a ler um livro, a ver um filme ou a concluir o puzzle que tenho aqui ao lado a olhar para mim... vou tentar fazer exactamente o mesmo.
Aproveito para te desejar um Novo Ano cheio de novas e boas energias, acompanhado de muita Saúde, Amor e pequenos grandes momentos de Felicidade.
beijinho grande
Há bocadinho estive a recordar a nossa passagem de ano de há dez anos em Lagos! Lembras-te? Fomos a abrir para o allgarve no carro do meu pai a ouvir música e a rir!
Bom ano Jade! Gostamos muito de ti!
Shadow, por hoje, pelo menos, não são precisos impermeáveis, thanks!
Cris, um excelente 2010 para ti. Bjos.
Carolina, pá, essa maluqueira já foi há dez anos? Que stress de ultrapassagens e tu para mim, que cara é essa, 'tás com medo? e eu, ná, que ideia, adoro velocidades e carros, 'tá visto, toda a gente que me conhece sabe disso...
E aquela meia-noite em casa do D. com montes de gente que nós não conhecíamos de lado nenhum? E depois ainda fomos para os bares, não foi? Já devia estar bonita a essa hora, que não me lembro de nada, nem de onde dormi, nem com quem... também não devia ter grande interesse! ehehehe! Agora já cresci e já não tenho namorados parvos. Bjos
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