segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Metafísica de Domingo

Ele houve tempos em que o maior pesadelo do mundo era chegar a sexta-feira e encarar o fim-de-semana. Literalmente quarenta e oito horas a dar com a cabeça na parede, sem apetecer fazer nadinha, desde ir ao supermercado a limpar o pó à casa, passando pelas obrigações escolares e a dissertação de mestrado.
Ele houve tempos em que passava dois dias deitada, entre a cama e o sofá, tendo como amigos íntimos de cabeceira o comando da TV,e o trio maço de cigarros, isqueiro e cinzeiro.
Ele houve tempos em que passava muitas dessas horas de solidão a chorar, que é o que faz quem não tem força para fazer o que quer que seja, e acredita que, se a tivesse, não haveria sentido para tal.
Esses tempos, felizmente, são parte de um passado que, apesar de recente num percurso de quase trinta e quatro anos, parece estar a milhares de anos-luz de distância.
E, embora me sinta, finalmente, equilibrada racional e emocionalmente, e considere que faço parte agora da grande maioria de gente funcional, é sem dúvida outro grande busílis chegar a domingo à noite desertinha que chegue a próxima sexta-feira à tarde.
Haja normalidade. E alegria no trabalho, onde quer que essa gaja ande.

4 comentários:

Shadow disse...

eu estou mortinha que termine este domingo. Que são estas horas (mais uma que roubaram ao relógio mas pesa no corpo) e eu ainda a escrever e ler artigos...

Puta de ironia ser obrigada e começar a fazer directas por uma coisa que tem sentença de morte anunciada.

Eu estou desertinha que chegue 4ª e me veja livre disto...

Anónimo disse...

... e como o fizeste? ja agora... dava jeito a dica...
Bjs e continua *

Nádia C.

Mau Feitio disse...

Tive tempos desses mas abri os olhos da cara e fiz-me à vida. Agora sim, estou normal.

Jade disse...

Boa 4a feira, Shadow...

Nádia, na verdade não há dica... o tempo encarregou-se de atenuar os motivos da pseudo-depressão e, sem motivos, as coisas foram ao sítio. Há recaídas, claro, mas nãopassam de casos pontuais, e bola para a frente, que atrás vem gente.

Mau Feitio... echo que a grande maioria das pessoas passa por fases dessas, sinceramente. Umas caem, outras não, as que caem acabem, que remédio, por se levantar mais cedo ou mais tarde. Nem que seja por obrigação, que a vida não espera...

Beijos