sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Des.ilusão

Tenho para mim, tipo mantra, que devo manter baixas expectativas em relação a tudo. A tudo o que mexa, por um lado, a tudo o que está por vir, por outro.
Tenho para mim que castelos construídos no ar, à espera de milagres, resultam apenas para aqueles, que os há, que neles, milagres, acreditam.
Tenho para mim que todos os seres humanos são falíveis, por um lado, e não são espelhos que devolvem a nossa imagem, por outro. Não devolvem absolutamente nada, melhor dizendo. Nem o nosso afecto, nem os nossos sonhos, nem as nossas esperanças, nem a nossa boa-vontade. Não devolvem. Podem dar-nos isso tudo, mas sempre independentemente dos nossos quereres. Independentemente de nós.
Por isso, des.iludo-me pouco, e cada vez menos, nesta vida.
Porque tenho para mim que quem muito se desilude, no fundo, tem um problema sério, isso sim, consigo próprio. Quando nos desiludimos, em última instância, somos sempre nós quem não está à altura, não o outro, seja ele de carne e osso, pele e cor, ou uma mera fantasia de um futuro risonho, ancorado na areia movediça da inércia.

2 comentários:

Shadow disse...

Conhecerás certamente o Auto da lusitania e o texto de/sobre/com "Todo Mundo" e Ninguém.

"Ninguém: Que andas tu aí buscando?

Todo o Mundo: Mil cousas ando a buscar:
delas não posso achar,
porém ando porfiando
por quão bom é porfiar.

Ninguém: Como hás nome, cavaleiro?

Todo o Mundo: Eu hei nome Todo o Mundo
e meu tempo todo inteiro
sempre é buscar dinheiro
e sempre nisto me fundo.

Ninguém: Eu hei nome Ninguém,
e busco a consciência.

Belzebu: Esta é boa experiência:
Dinato, escreve isto bem.

Dinato: Que escreverei, companheiro?

Belzebu: Que Ninguém busca consciência.
e Todo o Mundo dinheiro." (..)


Todo mundo desilude e ninguém assume a culpa. É uma culpa que morre de solidão...

Shadow disse...

achei triste ver aqui o meu comentário sozinho, de maneira que lhe vim fazer companhia com outro. Estou assim, solidaria e lamechas lol