domingo, 13 de setembro de 2009

Borboletas no Estômago?

Hoje passei o dia com uma amiga a trabalhar em matrizes e testes de diagnóstico. Antes de sair de casa, à conversa com outra, referia-me a ela como "um híbrido entre colega e amiga". Isto porque fomos muito próximas no ano em que dei aulas nesta escola em que agora efectivei, mas apesar de morarmos pertíssimo uma da outra, afastámo-nos completamente quando mudámos de escola. Por nada. Porque é a vida. Sem simpatias ou antipatias, sem cobranças, sem telefonemas no aniversário e no Natal, sem cafezinhos ao fim-de-semana.
Hoje, depois de cotações, competências e parâmetros, começámos a pôr em ordem a vida. Seis anos de novidades, por esta altura transformadas em velhos trapos que cheiram a bafio. Recuperou-se a cumplicidade perdida. Falou-se das escolas, das famílias, da saúde, dos amores.
Este último assunto deu, obviamente, pano para mangas. Para a camisola inteira, para ser mais precisa, com um longo cachecol a condizer. Dei por mim a contar-lhe as minhas desventuras e a desencadear ataques de riso incontrolável nesse processo. Dei comigo a fazer piadas e trocadilhos parvos à conta das relações estranhíssimas que tenho tido desde há seis anos para cá. E sempre com ela aos risinhos em pano de fundo, a dizer, não te podes queixar da monotonia; e eu a recalcitrar, ora obrigadinha, só me saem duques e cenas tristes, cacete, achas isto normal?
Já era noite cerrada quando ela remata, muito séria, e não tens saudades das butterflies in your stomach? Calei-me um milionésimo de segundo, a ponderar. Não é assunto em que me apeteça muito pensar, nesta fase da minha vida. Veio-me à cabeça dizer-lhe "In my stomach? Antes queria uma lasagna ou um chao-min com gambas". Em vez disso, respondi-lhe "E se fôssemos jantar ao chinês?'"
No meu estômago, de momento, prefiro alimentos que me dêem boas digestões a insectos coloridos e alados. Seriously. Definitely.

2 comentários:

Shadow disse...

afinal quem te fez a pergunta ao telefone, fez a pergunta certa.

Quanto ao resto pensava que chineses, só na aldeia de Buda... e não Cidade de Deus. Fico mais descansada, pode ser que haja lugar para mim também.
Mas vai com jeito, que no chinês nunca se sabe o que se come, e na volta, juntamente com bambu e a fazer de coisa gira, vinha uma ou duas borboletas ;)

cantinhodacasa disse...

Mudar de escola, mudar de zona, que pelo que sei ainda é perto da cidade de Deus, e que eu não conheço, fez-lhe bem.
É bom contar estas coisas.
Beijinho