Este texto era para se chamar Via Sacra, mas dado que já discorri uma vez sobre a Páscoa e o Catolicismo, e de forma pouco abonatória, e não quero ferir mais susceptibilidades nem desrespeitar credos de espécie nenhuma, para além de, confesso, ser especialmente sensível à representação do caminho de Cristo em direcção à crucificação, sempre me impressionou, resolvi chamar-lhe Via Profana, ou o caminho de regresso à Cidade-de-Deus.
Cada vez mais me identifico com os gatos. Para além de adorar dormir e olhar pelas janelas, não me mexam com as rotinas. Ganhei, ao longo dos anos, um ódio especial a fazer malas e carregar com elas para a bagageira do JadeMobile. Irrita-me, deprime-me, cansa-me, deixa-me de humor estragado. Principalmente nas viagens de regresso, no virar costas a Lisboa. Quando lá chego sinto-me sempre estrangeira, mas arrancar-me de lá depois de mais de três ou quatro dias de cheiro a berço é tortura.
Tudo começou ontem. Fui buscar o carro ao sítio onde o deixo, longe de casa, para evitar parquímetros e EMELgas. Apanhei um táxi (sim, deixo o carro mesmo longe), e fiz amizade com o taxista, muito giro, da minha idade e de Sesimbra, o sítio onde sempre passei as férias de Verão em família. O rapaz era um charme e até me deu o número de telefone, o que me fez dissipar momentaneamente o mau-humor com que ia. Eh lá, Jade... afinal continuas a ter um certo brilho, pá... às vezes até te esqueces! Passei o resto da tarde a meter coisas em sacos e a ajudar a minha mãe desesperada com o IRS, mais o programa JAVA, mais a impressora, and soyon and soyon. A minha gata ajudava à festa, aos saltos em cima dos papéis e das facturas, dos sacos e das camisolas, dos livros e dos computadores. Uma tarde de resmungos e gargalhadas, comigo a ameaçar, "Tigresa, levas um estouro, olha que te meto dentro da mala e quando deres por ti estás numa casa de paredes cor-de-laranja" (Olhar de desprezo e miau escarninho), "mãe, não quero ir, tem mesmo que ser? escreve lá na minha caderneta que estou doente e sou vítima de bullying e queres a minha transferência para uma escola perto de casa" (suspiro, abanar de cabeça e encolher de ombros, seguido de "não te esqueças do carregador do telefone e leva também o Babyliss).
Hoje acordei com a telha monumental de quem tem um carro por carregar. Arrastei-me pelo bairro com a progenitora atrás, ao café e às lojas, e vim-me embora sob protesto.
Parei em Azeitão para almoçar em casa dos Vs e atrasar o regresso. O filhote deles, de cinco anos, encheu-me de mimos e deu-me um boneco do Madagáscar, a girafa, "para levares para tua casa, que estás tão tristinha". Eheheheh, que fofo. E os Vs deram-me chá e doce e carinhos e risos.
Demorei sete horas a chegar ao destino, e resmunguei sozinha na estrada o tempo todo. Via Profana. Mas com tanto miminho (a minha mãe, à despedida, ainda me deu um lapinhos para a minha colecção) até parece mal estar tão irritada, até porque os exames médicos da minha mãe, graças a Deus, não confirmaram nada do que se temia, e sinto-me grata por isso, que a ansiedade já era muita. A saúde dela é o mais importante. Ainda assim, voltar à escola põe-me literalmente doente.
E foi com irritação que estacionei o carro e que subi duas vezes trezentos degraus com sacos às costas... mas a Mzinha trouxe berbigão de casa e o jantar compensou muito. E ainda me fartei de comer das melhores amêndoas do Mundo. E, se bem que o amanhã me deprima quase até às lágrimas, o hoje foi mesmo muito bom.
2 comentários:
Agora até já consegues cá chegar sozinha... nem precisas de gps on mobile: " mas foste em frente porquê?". Volta sempre verde jade!
Não querendo obviamente comparar em outras questões que não as relativas à força, o HULK tb é verde JADE! Por isso mesmo a força está "no verde"...
(infelizmente pra ti isto nao se aplica no futbol uma vez que o HULK é azul kakaka)
bjinho
"shine on"
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