A empregada da minha mãe, que vem cá a casa desde os meus dois anos e meio, tem já mais de oitenta e é uma das muitas avós que eu tive, contava-me há pouco que na sua aldeia transmontana e nos seus tempos de meninice, as pessoas podiam comprar na igreja um papel “chamavam-lhe bula, menina!” que as autorizava a comer carne durante a Quaresma. “Já viu bem que fantochada, menina? Aquela gente tinha lá dinheiro para comer carne… mas se podiam, pagando, porque havia de ser pecado, se não pagassem?” Para mim, este é um dos grandes paradigmas do Catolicismo, a Hipocrisia. Não estou a falar, reparem, dos Católicos, nem da Fé das pessoas. Estou a falar da Instituição Igreja, dos decretos, das normas que algum homem inventou em nome de Deus e que são agora desculpa, entre outras coisas, para se criticar o uso do preservativo em países africanos, sem ninguém se lembrar de atirar uma pedra à cabeça de quem tal defende. A Hipocrisia, não meu filho, Quaresma é tempo de abstinência, mas se comprares esta bula, então… e os lugares no céu, e a remissão dos pecados, e o confessionário, em que trocas os teus erros por três ou quatro pais-nossos e fica tudo bem. A Hipocrisia. Quando podes fazer tudo a troca de orações ou dinheiro, a tua culpa é relativa, a tua responsabilidade, nula, os mesmos erros permitidos e desculpabilizados ad aeternum. Se não fosse a Fé das pessoas, os Católicos, instigados pelas próprias regras, podiam perfeitamente ser um bando de marginais, desde que fossem à missa uma vez por semana, se confessassem com regularidade, e cumprissem os preceitos. Especialmente os que têm a haver com sexo, o grande bicho-papão.
Na Cidade de Deus estou rodeada de Católicos por todos os lados. Bons, praticantes, sinceros e genuínos, há poucos. Há os escuteiros. Aqueles com quem privo dão muitíssimo bom nome à classe. E há os outros. Os que fingem, os que mentem, os que enganam, os que tratam mal as pessoas, os que não dão um cêntimo a um pobre, os que não dão uma ajuda a quem precisa, os que não sabem o que é a solidariedade, a gratidão, o consolo, a partilha, o respeito. Há muitos católicos que sabem de cor o que é o Catolicismo e hão-de andar toda a vida sem saber o que é a Fé. Ou, já agora, a verdadeira palavra do Senhor “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”. Acho que foi isto que um dia me ensinaram. O resto… tretas. Não há Deus no Mundo que se vá meter na minha vida íntima e sexual, disso vos garanto. Ou que me vá cobrar em dinheiro a minha entrada no Paraíso. Até porque pouca gente conhecida hei-de por lá encontrar.
Na Cidade de Deus há muitos católicos. Mal venho para Lisboa, começo a relacionar-me com os outros. Gente de Fé, mas de uma Fé diferente. Gente das Ciências e das Medicinas. Gente com dúvidas e perguntas. Gente que acha que os nossos erros têm que ser corrigidos, não apenas perdoados. Gente das Filosofias. Gente das Literaturas, que já leram Nietsche e até lhe conseguem discernir alguma lógica. Gente que compreende rituais e os cumpre por amor à tradição, honrando apenas as tradições que lhes são significativas. Por isso, cá em casa, hoje, não há jejum para ninguém. Cá em casa não se entende em que é que se ter morto um homem de forma bárbara e injusta tem a haver com não se comer o que quer que seja. Por isso, não há abstinências. O meu Deus não me culpa a mim pelo assassinato do seu filho na cruz. E se tivesse sido eu a matá-lo, noutra vida, o meu Deus não me perdoaria disso por não comer carne quarenta dias. Enfim.
Tudo isto para dizer que vou passar a Sexta-feira Santa no Museu do Chiado a ver uma exposição de fotografia portuguesa da década de cinquenta (Castello-Lopes, Afonso Dias, Sena da Silva, Palla), e no CCB, e deambular pela colecção Berardo, e a ver passar os barcos ao fundo, no rio. E de lés-a-lés vou lembrar-me de Jesus, com a minha idade, a ser torturado e crucificado sabe-se lá bem porquê. Por fanatismos, interesses, ambições, jogos de poder. Por tudo o que é Igreja e jamais será Fé. E como me recuso a compactuar com tudo o que é grupal e pouco razoável, gosto pouco de rebanhos, mesmo que sejam de Cordeiros de Deus, vou passar uma sexta-feira de forma “santa”, a fazer precisamente o que mais gosto, sem arrependimentos ou culpas que não são minhas, e uma grande admiração, isso sim, pela figura de Cristo, e o que a nós chegou do que disse, pregou e ensinou. Ou, pelo menos, morreu a tentar ensinar.
Na Cidade de Deus estou rodeada de Católicos por todos os lados. Bons, praticantes, sinceros e genuínos, há poucos. Há os escuteiros. Aqueles com quem privo dão muitíssimo bom nome à classe. E há os outros. Os que fingem, os que mentem, os que enganam, os que tratam mal as pessoas, os que não dão um cêntimo a um pobre, os que não dão uma ajuda a quem precisa, os que não sabem o que é a solidariedade, a gratidão, o consolo, a partilha, o respeito. Há muitos católicos que sabem de cor o que é o Catolicismo e hão-de andar toda a vida sem saber o que é a Fé. Ou, já agora, a verdadeira palavra do Senhor “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”. Acho que foi isto que um dia me ensinaram. O resto… tretas. Não há Deus no Mundo que se vá meter na minha vida íntima e sexual, disso vos garanto. Ou que me vá cobrar em dinheiro a minha entrada no Paraíso. Até porque pouca gente conhecida hei-de por lá encontrar.
Na Cidade de Deus há muitos católicos. Mal venho para Lisboa, começo a relacionar-me com os outros. Gente de Fé, mas de uma Fé diferente. Gente das Ciências e das Medicinas. Gente com dúvidas e perguntas. Gente que acha que os nossos erros têm que ser corrigidos, não apenas perdoados. Gente das Filosofias. Gente das Literaturas, que já leram Nietsche e até lhe conseguem discernir alguma lógica. Gente que compreende rituais e os cumpre por amor à tradição, honrando apenas as tradições que lhes são significativas. Por isso, cá em casa, hoje, não há jejum para ninguém. Cá em casa não se entende em que é que se ter morto um homem de forma bárbara e injusta tem a haver com não se comer o que quer que seja. Por isso, não há abstinências. O meu Deus não me culpa a mim pelo assassinato do seu filho na cruz. E se tivesse sido eu a matá-lo, noutra vida, o meu Deus não me perdoaria disso por não comer carne quarenta dias. Enfim.
Tudo isto para dizer que vou passar a Sexta-feira Santa no Museu do Chiado a ver uma exposição de fotografia portuguesa da década de cinquenta (Castello-Lopes, Afonso Dias, Sena da Silva, Palla), e no CCB, e deambular pela colecção Berardo, e a ver passar os barcos ao fundo, no rio. E de lés-a-lés vou lembrar-me de Jesus, com a minha idade, a ser torturado e crucificado sabe-se lá bem porquê. Por fanatismos, interesses, ambições, jogos de poder. Por tudo o que é Igreja e jamais será Fé. E como me recuso a compactuar com tudo o que é grupal e pouco razoável, gosto pouco de rebanhos, mesmo que sejam de Cordeiros de Deus, vou passar uma sexta-feira de forma “santa”, a fazer precisamente o que mais gosto, sem arrependimentos ou culpas que não são minhas, e uma grande admiração, isso sim, pela figura de Cristo, e o que a nós chegou do que disse, pregou e ensinou. Ou, pelo menos, morreu a tentar ensinar.
POST SCRYPTUM
São nove da noite.
Voltei para partilhar a tarde que tive. Perfeita. Perfeita até nos pormenores que deram para o torto. E que nos fizeram rir com gosto.
Às três da tarde ainda estava em casa, a dizer mal da minha vida: havia muito a ver e “aqueles gajos não se despacham, pá?” Os primeiros a aparecer à minha porta foram os Vs. Pedi-lhes o especial favor de, a caminho do Museu do Chiado, pararem no Cais do Sodré para descobrir o Auditório BES, onde vamos trazer umas turmas a uma peça de teatro, uma incumbência que me deu o G. como "TPC Pascal". Depois de trinta voltas, que o terreiro do Paço está fechado ao trânsito, mais duas ou três ao largo, e cinquenta conversas com taxistas, NADA. Lá liguei ao G. para ele me dizer... o nome da rua! E eu, então tu sabes o nome da rua e só agora é que me dizes? Ai, os gajos, os gajos, todos uns mentecaptos! E ele, a rir-se, olha, já agora é só para te avisar que comprei o CD da Cristina Branco, era o último, mas já não precisas de ir à FNAC à minha conta… eu ri-me, obrigadinha, desliguei e siga para o Museu. (Sem passar pela tal rua do auditório, mas com uma leve ideia de onde é: tal e qual como os alunos e o TPC, stôra eu só fiz os exercícios 1 e 3, os outros não percebi…quando “os outros” são, claro, os mais importantes e os que dão mais trabalho, assim fiz eu, com o meu TPC Pascal, mas depois de tanta luta já não me apeteceu ir mesmo à tal rua só para meter o nariz no sítio exacto)
No Museu, ainda mal eu tinha aberto a boca para dizer ao que íamos, já o recepcionista-robot me estava a dizer “Vila Franca de Xira”. Enquanto eu arregalava os olhos e continha o riso, e retomava calmamente a minha frase interrompida, ele olhava-me absent-minded. Depois de me deixar acabar, repetiu “Vila Franca de Xira. Essa colecção é do Museu do Chiado, mas está exposta em Vila Franca de Xira”. Ah, ok, isto está a correr bem. Ainda resmungámos contra artigos mal-feitos e pouco explícitos e saímos, comigo furiosa, mas a rir-me e a perguntar à V. “Olha lá, aquele homem não era lá muito certo das ideias, ou sou eu que sou mazinha?”… Fomos à cafetaria do Museu que eu ia doida por um Cappucino, e seguimos para o CCB, onde estava à nossa espera o outro casal amigo.
E passámos horas metidos na colecção Berardo, a comentar as obras com tiradas tipo montanha-russa entre o profundo intelectual e a mais superficial piada parva, de índole escatológica ou pseudo-pornográfica que, toda a gente sabe, a arte moderna dá para tudo. Emocionei-me em frente ao Warhol que lá está, quase tiveram que me arrastar da frente dele, enquanto murmurava, foi ele, P., já viste bem? Foi ele que pintou isto… ma-ra-vi-lho-so; adorei as obras de Julião Sarmento; vi o Hockney, a prender a respiração em sinal de respeito; vi os Lourdes Castro pela primeira vez sem ser em fotografias de catálogos de arte, vi o Júlio Pomar e senti-me privilegiada por viver num país em que um rico excêntrico compra arte e a oferece a toda a gente, fazendo de um enorme museu a sua sala de estar privada aberta ao público gratuitamente.
E depois fomos às temporárias, já a mancar com dores nas patas, já. A primeira, um surrealista, Raul Perez. Eu adoro surrealismo mas detestei as suas interpretações. Escuras, repetitivas, monótonas. E ainda me dei ao luxo de grasnar arrogantemente "Quem viu os mestres no Guggenheim Bilbao, não acha graça a aprendizes". E a P. calou-me logo, com um "Guggenheim Bilbao? Estiveste lá? Eu estive no de Nova Iorque!" Ao que eu disse que a odiava e deixei de lhe falar durante muito tempo, que a inveja é um sentimento muito feio, mas eu sou assim, feia. Anyway, os meus amigos gostaram do tal Perez. Depois, a segunda temporária fez-me, juntamente com o Warhol e o Hockney, ganhar o dia. Literalmente. Sob o título “Arquivo Universal”, uma exposição de fotografia que é isso mesmo: Universal. Comecei aos saltinhos de entusiasmo quando vi três “Rodchenkos”, ia morrendo quando dei com uma Kertézs e várias Cartier-Bresson, e emudeci pasmada quando vi obras dos mesmos portugueses que me fugiram no Museu do Chiado: Castello-Lopes, Palla, Sena da Silva. Perdi-me dos meus amigos todos, porque lá fiquei que tempos a olhar para aquilo e a pensar. “tenho que vir cá de propósito para ver isto com calma, tem que ser, que delícia!"
Lá encontrei o resto da seita, e concedi o grande favor de voltar a falar à P., que sou muito magnânima (Guggenheim NY... grande parvalhona!...) e ainda vimos a terceira exposição temporária, que detestei. A única coisa interessante foi a instalação “Quarto Escuro”, que nada mais é que isso. Nem entrei. Quando jogava ao Quarto Escuro era um perigo, e dadas as circunstâncias, a última coisa de que preciso é de me enfiar num quarto escuro e deixar a imaginação voar. Quarto escuro por quarto escuro, antes o meu. Mas se tivesse ido com o meu marido, como as minhas amigas, não tinha perdido a hipótese de lá ir dentro, dar-lhes um grande beijo na boca, tipo adolescentes…
E depois, o final da volta à Senhora da Asneira. Alguém disse, pastéis de Belém, pessoal? E lá foram cinco estarolas cheios de fome e dores nas patas ao cheiro dos bolos. Foi só isso que levámos, o cheiro. Uma fila de meter medo, e o resultado final foi Pastéis de Belém: 10; Malta-que-já-foi-de-Lisboa-mas-agora-está-exilada-em-terras-estranhas-e-parece-estrangeira-na-própria-cidade-berço: 0. Fónix, mas o que é que nos passou pela cabeça, parece que não temos estudos, ou, pior, que nunca viémos a Lisboa, cacete!
Lá voltámos nós para o CCB, onde estivemos na cafetaria a comer queques e a beber meias-de-leite como se não houvesse amanhã, até nos porem de lá para fora, para fechar o estaminé.
E eu sei que sou uma pessoa estranha, mas acreditem que, no meio de tanta confusão e planos furados, esta tarde, para mim, foi perfeita.
Voltei para partilhar a tarde que tive. Perfeita. Perfeita até nos pormenores que deram para o torto. E que nos fizeram rir com gosto.
Às três da tarde ainda estava em casa, a dizer mal da minha vida: havia muito a ver e “aqueles gajos não se despacham, pá?” Os primeiros a aparecer à minha porta foram os Vs. Pedi-lhes o especial favor de, a caminho do Museu do Chiado, pararem no Cais do Sodré para descobrir o Auditório BES, onde vamos trazer umas turmas a uma peça de teatro, uma incumbência que me deu o G. como "TPC Pascal". Depois de trinta voltas, que o terreiro do Paço está fechado ao trânsito, mais duas ou três ao largo, e cinquenta conversas com taxistas, NADA. Lá liguei ao G. para ele me dizer... o nome da rua! E eu, então tu sabes o nome da rua e só agora é que me dizes? Ai, os gajos, os gajos, todos uns mentecaptos! E ele, a rir-se, olha, já agora é só para te avisar que comprei o CD da Cristina Branco, era o último, mas já não precisas de ir à FNAC à minha conta… eu ri-me, obrigadinha, desliguei e siga para o Museu. (Sem passar pela tal rua do auditório, mas com uma leve ideia de onde é: tal e qual como os alunos e o TPC, stôra eu só fiz os exercícios 1 e 3, os outros não percebi…quando “os outros” são, claro, os mais importantes e os que dão mais trabalho, assim fiz eu, com o meu TPC Pascal, mas depois de tanta luta já não me apeteceu ir mesmo à tal rua só para meter o nariz no sítio exacto)
No Museu, ainda mal eu tinha aberto a boca para dizer ao que íamos, já o recepcionista-robot me estava a dizer “Vila Franca de Xira”. Enquanto eu arregalava os olhos e continha o riso, e retomava calmamente a minha frase interrompida, ele olhava-me absent-minded. Depois de me deixar acabar, repetiu “Vila Franca de Xira. Essa colecção é do Museu do Chiado, mas está exposta em Vila Franca de Xira”. Ah, ok, isto está a correr bem. Ainda resmungámos contra artigos mal-feitos e pouco explícitos e saímos, comigo furiosa, mas a rir-me e a perguntar à V. “Olha lá, aquele homem não era lá muito certo das ideias, ou sou eu que sou mazinha?”… Fomos à cafetaria do Museu que eu ia doida por um Cappucino, e seguimos para o CCB, onde estava à nossa espera o outro casal amigo.
E passámos horas metidos na colecção Berardo, a comentar as obras com tiradas tipo montanha-russa entre o profundo intelectual e a mais superficial piada parva, de índole escatológica ou pseudo-pornográfica que, toda a gente sabe, a arte moderna dá para tudo. Emocionei-me em frente ao Warhol que lá está, quase tiveram que me arrastar da frente dele, enquanto murmurava, foi ele, P., já viste bem? Foi ele que pintou isto… ma-ra-vi-lho-so; adorei as obras de Julião Sarmento; vi o Hockney, a prender a respiração em sinal de respeito; vi os Lourdes Castro pela primeira vez sem ser em fotografias de catálogos de arte, vi o Júlio Pomar e senti-me privilegiada por viver num país em que um rico excêntrico compra arte e a oferece a toda a gente, fazendo de um enorme museu a sua sala de estar privada aberta ao público gratuitamente.
E depois fomos às temporárias, já a mancar com dores nas patas, já. A primeira, um surrealista, Raul Perez. Eu adoro surrealismo mas detestei as suas interpretações. Escuras, repetitivas, monótonas. E ainda me dei ao luxo de grasnar arrogantemente "Quem viu os mestres no Guggenheim Bilbao, não acha graça a aprendizes". E a P. calou-me logo, com um "Guggenheim Bilbao? Estiveste lá? Eu estive no de Nova Iorque!" Ao que eu disse que a odiava e deixei de lhe falar durante muito tempo, que a inveja é um sentimento muito feio, mas eu sou assim, feia. Anyway, os meus amigos gostaram do tal Perez. Depois, a segunda temporária fez-me, juntamente com o Warhol e o Hockney, ganhar o dia. Literalmente. Sob o título “Arquivo Universal”, uma exposição de fotografia que é isso mesmo: Universal. Comecei aos saltinhos de entusiasmo quando vi três “Rodchenkos”, ia morrendo quando dei com uma Kertézs e várias Cartier-Bresson, e emudeci pasmada quando vi obras dos mesmos portugueses que me fugiram no Museu do Chiado: Castello-Lopes, Palla, Sena da Silva. Perdi-me dos meus amigos todos, porque lá fiquei que tempos a olhar para aquilo e a pensar. “tenho que vir cá de propósito para ver isto com calma, tem que ser, que delícia!"
Lá encontrei o resto da seita, e concedi o grande favor de voltar a falar à P., que sou muito magnânima (Guggenheim NY... grande parvalhona!...) e ainda vimos a terceira exposição temporária, que detestei. A única coisa interessante foi a instalação “Quarto Escuro”, que nada mais é que isso. Nem entrei. Quando jogava ao Quarto Escuro era um perigo, e dadas as circunstâncias, a última coisa de que preciso é de me enfiar num quarto escuro e deixar a imaginação voar. Quarto escuro por quarto escuro, antes o meu. Mas se tivesse ido com o meu marido, como as minhas amigas, não tinha perdido a hipótese de lá ir dentro, dar-lhes um grande beijo na boca, tipo adolescentes…
E depois, o final da volta à Senhora da Asneira. Alguém disse, pastéis de Belém, pessoal? E lá foram cinco estarolas cheios de fome e dores nas patas ao cheiro dos bolos. Foi só isso que levámos, o cheiro. Uma fila de meter medo, e o resultado final foi Pastéis de Belém: 10; Malta-que-já-foi-de-Lisboa-mas-agora-está-exilada-em-terras-estranhas-e-parece-estrangeira-na-própria-cidade-berço: 0. Fónix, mas o que é que nos passou pela cabeça, parece que não temos estudos, ou, pior, que nunca viémos a Lisboa, cacete!
Lá voltámos nós para o CCB, onde estivemos na cafetaria a comer queques e a beber meias-de-leite como se não houvesse amanhã, até nos porem de lá para fora, para fechar o estaminé.
E eu sei que sou uma pessoa estranha, mas acreditem que, no meio de tanta confusão e planos furados, esta tarde, para mim, foi perfeita.
9 comentários:
Eu costumo comer peixe na Sexta-feira Santa, ,as também porque o como várias vezes na semana.
Tenho Fé, não acredito na Igreja dos homens.
Acredito na minha capacidade de ser solidária, dar carinho e fazer o bem quando precisam de mim ou não.
Ha muitos anos atrás, uma pessoa da família ia comprar a bula á igreja da feguesia para poder dar carne ao marido e filhos , que não ligavam nada a estas coisas. Mais tarde, o que essa pessoa tinha de católica praticante, passou a testemunha de Jeová.
Hoje, com cerca de 80 anos, continua nessa vida de Jeová.
Não sei o que diz nem faz, porque poucas vezes estou com ela.
Isto para lhe dizer que, gosto de entrar na igeja quando quero, gosto de rezar , quando me apetece, gosto de reflectir quanso sinto necessidade.
Faço o que é bom para mim, para a minha alma, para a minha família e amigos.
Gosto, no dia de hoje, de ir á igreja e ver o senhor deitado na urna, coberto com um véu branco e ouvir a música de fundo que dá um ambiente de paz a quem lá vai.
Ainda não o fiz, porque chovia, mas como agora está sol, vou fazer a minha visita, mas porque gosto.
E no meu blog, porque tinha umas descrições interessantes sobre a Páscoa nunca se realizar no mesmo dia e mês, assim como os símbolos da Páscoa e seu significado, fi-lo com muito carinho, porque gosto da Quaresma e de recordar a figura de Jesus Cristo.
Gostei do seu post, Jade.
Há já algum tempo que não vinha cá, por falta de oportunidade.
Boa Páscoa e boa estada em Lisboa, onde estive na passada 3ª Feira, aí, também em Belém.
Beijinho
Jade:
A bula foi um grande erro, que a Igreja reconheceu e, por isso mesmo, deixou de existir. Não te esqueças que a Igreja enquanto instituição é governada por homens e, como tal, imperfeita. Deus deu liberdade aos homens que podem usá-la da forma como entenderem. O livre arbítrio é um dos maiores dons de Deus.
Quanto ao resto tb não concordo, é natural a posição da Igreja em relação ao preservativo. A Igreja defende a fidelidade, com sexo só depois do casamento e, postas as coisas assim, o preservativo não faz realmente sentido. Entende que eu faço distribuições de preservativos todos os dias no Centro de Saúde, nas queimas das fitas, em festivais... Mas entendo a posição da Igreja. Para quem prega a fidelidade, o parceiro único na vida, o preservativo não faz realmente sentido. Quem cumpre estes preceitos há-de entender-me.
O teu texto lembra-me um bocado as pessoas que criticam que agora, para ser padrinhos ou casarem pela Igreja, têm que ser crismadas. É tão simples quanto: se querem ser padrinhos na Igreja, se querem casar na Igreja então têm que se sujeitar às regras da Igreja. A Igreja não é um salão de festas e só lá vai quem quer. Se vão lá sem fé, para ser bonito ou fazer festarolas, então não vão, não têm o direito de ir. As festas tb se fazem lá fora.
É como o comer carne hoje. Come quem quer, está no seu direito. Quem não come não deve ser criticado. Eu não como, tal como muitas outras pessoas, e sabes porquê? Porque é um dia em que sentimos que devemos abdicar de algumas coisas, mesmo que mínimas, em respeito ao sofrimento de Jesus na Cruz, que ao morrer por amor, nos deu a maior prova. E nem imaginas como me faz feliz saber isso...
Conheço muita gente que pensa como tu e não os critico. Mas quem não acredita critica. E é fácil criticar quando se está de fora, mas já foram a uma Igreja tentar mudar? Já se mexeram para isso? É fácil criticar sem fazer nada para mudar. A Igreja é feita de pessoas, cada um de nós é uma pedra viva da Igreja. Na minha pedra e na maior parte das que conheço, a hipocrisia não existe e a fé é verdadeira e assumida. Muito mais verdadeira do que a fé de quem diz "eu cá tenho a minha própria fé". Se leste passagens da Bíblia sabes que Jesus queria que nos reunissemos em seu nome. Basta leres o episódio da última ceia, a paixão de Cristo.
Não critiques a Igreja por dizer alto aquilo em que acredita. Aquilo por que muitos se regem (e acredita que regem mesmo). Tu és livre de entrar ou não entrar, pertencer ou não pertencer. Analogias tristes à parte, tu votas no partido que queres, não é? Ou podes não votar... Deus deu-te liberdade, usa-a, mas não critiques quem assume publicamente as suas escolhas.
Não é hipocrisia, é imperfeição. Somos seres imperfeitos. Todos. E é claro que há os "falsos" cristãos, mas esses não são só os que batem com a mão no peito e espetam facas nas costas com a mão que têm livre. Falsos cristãos tb são aqueles que se recusam a comungar no amor do pai, a assumirem-no e reunirem-se no amor de Cristo. Não era isto que Jesus que morreu por nós queria.
E ai tens o meu ponto de vista nada mais que isso.
Espero que tenhas uma Páscoa Feliz, cheia de paz e certeza que amas e és amada. É que Ele nunca se esquece de nós.
Beijinhos =)
Obrigada, meninas, pelos vossos contributos. Sol... já sabia que is haver pessoas a sentirem-se feridas, atacadas ou criticadas. Não há razões para isso. Aqui, ataco e critico a hipocrisia e apenas isso. A hipocrisia escudada na religião (na que melhor conheço, por nela ter sido educada). Não se critica aqui a fé: e se a fé te diz que deves comer peixe, muito bem. Só não me parece que seja quem for o deva fazer só porque enfim... beijinhos
Pastéis de Belém: 10; Malta-que-já-foi-de-Lisboa-mas-agora-está-exilada-em-terras-estranhas-e-parece-estrangeira-na-própria-cidade-berço: 0
Quando recuperares desta desvantagem manda um cá para a gente de cima. Ou para mim pelo menos vá ;)
Só faltou o brilhante e inédito "Não temos serviço de balcão", que prima pela inovação... Vá lá tudo sentar que a menina da cafetaria do museu do chiado gosta de passear. Ass.: as amigas do starbucks
... Starbucks, by the way, que veio dos States na semana passada e, ainda por cima, também estava cheio! LLLOOOOLLL
Shadow, Babe, Pastéis de Belém em Correio Verde, não me parece, ou acredita que mandava. Mas se o Panda chegou intacto, talvez um pastel...
Bjos às duas
Gostei deste post. Duas partes, uma séria e bem defendida, não me pareceu, ao contrário da Sol, que estivesses a criticar a Fé de ninguém, muito pelo contrário. Outra cheia de sentido de humor. Quero salientar a história do quarto escuro: os artistas, realmente, têm ideias brilhantes. Lamento que não tenhas lá entrado, mas confessa que haveria pessoas com quem gostarias de partilhar esse mundo de potencialidades: dar um beijo ou um estalo, ou dizer coisas para as quais te falta a coragem, sejam elas boas ou más, não? Eu cá quero lá ir, embora seja difícil, porque sou de longe e é raro ir à Capital do Império.
Bom Post.
João D.
Pastéis de Belém. Quando aí fui, na Terça-Feira passada, estava uma fila enorme cá fora.
Óbvio que fomos à procura de mesa. Felizmente tinhamos uma à nossa espera.
Mas, uns minutos depois, já havia fila dentro.
Mas valeu.
Quanto ao quarto escuro, deveria ser interessante e algo diferente...a sensação.
Beijinho
João, bem-vindo. Ainda bem que interpretaste assim a primeira parte do post, que não era, de todo, para ofender quem quer que seja, apenas para fazer as pessoas pensar no que é a Fé, e levar a sério os rituais, não os cumprir só porque sim. Pelo menos, se se sentirem maal com o que leram, à procura de formas de defender as suas ideias, pensam sobre o assunto e sobre si mesmas, o que é sempre bom. Quanto ao quarto escuro, não lhe nego as potencialidades, mas duvido que consiga arrastar para lá as pessoas que me apetece espancar. Ehehheheheh.
Maria... há sensações que mais vale deixar sossegadinhas. Mas achei muita piada à ideia, tão simples, mas com um bocadinho de imaginário infantil e hormonas adolescentes. Com que então conseguiu mesa nos Pastéis? Nós nem entrámos...
Beijinhos
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