Há limites para tudo, nesta vida. Eu sou daquelas pessoas que leva os amigos ao desespero, já para não falar na mãe capricorniana-perfeccionista, com a minha noção de limites. Sou uma pessoa que traça limites absurdos. A minha mãe, que anota todas as despesas, todos os aniversários, todos os compromissos, que faz listas para tudo, que anda sempre em cima de todos os acontecimentos, que consegue perceber que um objecto na sala está dois milímetros afastado do seu lugar perfeito, teve muito azar com a filha que lhe coube em sorte.
És uma desorientada, diz muitas vezes, com aquela já aceitação que não tinha quando eu era adolescente e ainda podia levar estalos bem dados na cara. És uma desorientada e não sei como fazes para ainda não estares no hospital ou na prisão. É verdade. Eu sou pior que desorientada, sou desleixada. Sei que ando com a cabeça sempre a mil à hora e me despisto com as coisas banais da vida, contas para pagar, IRS para preencher, aniversários de amigos, prazos, tudo me passa ao lado. Compro agendas que não uso, escrevo papéis que não releio, ando sempre à nora.
Mas, como dizia no início, há limites para tudo. A minha saúde anda péssima há mais de um mês. Hoje era suposto ter uma daquelas consultas médicas em que o médico que me segue desde os dezoito anos me ia dizer o que Maomé não disse do chouriço, para depois me marcar uma caterva de exames, mais uma lista de novos medicamentos, mais o diabo-a-sete. E eu detesto estas consultas, em que ele olha para as análises (já olhou e já o disse, à minha mãe, siderada) e diz ”Temos novidades, há ANAs (são indicadores auto-imunes, os meus maiores inimigos) em órgãos novos”. E eu já sei que vai haver inferno para o meu lado. Enfim. O cúmulo da inconsequência? A consulta era ONTEM! ONTEM!
Não sei quem fez burrada, se eu, se a funcionária das marcações, mas aceito que tenha sido eu. E estou piursa. Furiosa. Porque este erro me vai custar caro. Não só terei que vir a Lisboa em tempo de aulas, como ainda terei que me sentir em baixo de forma pelo menos mais quase um mês. E estas férias, profícuas que têm sido em auto-admoestação, desde o mestrado que não fiz, até aos níveis inaceitáveis de estupidez que me têm impregnado corpo e alma nos últimos tempos, transformaram-se no pesadelo de qualquer pessoa com um mínimo de consciência. Transformaram-se no meu pesadelo.
Já normalmente me tenho em fraca conta, e dou toda a razão aos meus amigos e à minha mãe, quando me dizem que sou a principal inimiga de mim mesma, que não me organizo, não me defendo nem me preservo. Dou-lhes razão passivamente, ouço-lhes as críticas, aceito-as, mas não reajo nem ao estalo. Sou uma deixa-andar. Mas hoje assustei-me. Ainda ontem dizia a uma das minhas melhores amigas que receava que o meu cérebro, cheio que anda de merdas que não interessam, me falhasse quando tivesse de funcionar para coisas importantes. Ora aí está um sinal que é um bom exemplo da materialização dos meus receios. Desgovernada. Desencabrestada, mais uma vez, como diz a minha mãe. E ontem, falava à minha amiga de uma situação em que, já fora de todos os limites aceitáveis, já de forma tardia e extemporânea, disse, chega, enchi, cansei, fartei. E ela dizia-me que há coisas que apenas pecam por tardias, mas que mais vale tarde que nunca. E eu estou a precisar de dizer basta a coisas mais sérias e importantes. Estou a precisar de dizer basta a esta forma idiota que tenho de ser e de pensar, a esta inversão de prioridades com que vivo (boa piada) a minha vida, e que me estão a custar a sanidade mental, mas pior, a saúde física, e coisas práticas como o mestrado, a conta bancária, a eficiência quotidiana.
Estou furiosa. Preciso de dizer um basta definitivo a esta confusão horrorosa. Preciso mesmo muito, e com urgência, de crescer. Se não por mim (o que é que eu alguma vez fiz por mim…), pela minha mãe, pelos meus amigos, por toda essa gente que se sente revoltada e impotente perante uma pessoa que não gosta dela nem metade do que todos eles gostam, e anda pela vida com a inconsequência própria de uma criança de cinco anos metida num corpo de 33.
És uma desorientada, diz muitas vezes, com aquela já aceitação que não tinha quando eu era adolescente e ainda podia levar estalos bem dados na cara. És uma desorientada e não sei como fazes para ainda não estares no hospital ou na prisão. É verdade. Eu sou pior que desorientada, sou desleixada. Sei que ando com a cabeça sempre a mil à hora e me despisto com as coisas banais da vida, contas para pagar, IRS para preencher, aniversários de amigos, prazos, tudo me passa ao lado. Compro agendas que não uso, escrevo papéis que não releio, ando sempre à nora.
Mas, como dizia no início, há limites para tudo. A minha saúde anda péssima há mais de um mês. Hoje era suposto ter uma daquelas consultas médicas em que o médico que me segue desde os dezoito anos me ia dizer o que Maomé não disse do chouriço, para depois me marcar uma caterva de exames, mais uma lista de novos medicamentos, mais o diabo-a-sete. E eu detesto estas consultas, em que ele olha para as análises (já olhou e já o disse, à minha mãe, siderada) e diz ”Temos novidades, há ANAs (são indicadores auto-imunes, os meus maiores inimigos) em órgãos novos”. E eu já sei que vai haver inferno para o meu lado. Enfim. O cúmulo da inconsequência? A consulta era ONTEM! ONTEM!
Não sei quem fez burrada, se eu, se a funcionária das marcações, mas aceito que tenha sido eu. E estou piursa. Furiosa. Porque este erro me vai custar caro. Não só terei que vir a Lisboa em tempo de aulas, como ainda terei que me sentir em baixo de forma pelo menos mais quase um mês. E estas férias, profícuas que têm sido em auto-admoestação, desde o mestrado que não fiz, até aos níveis inaceitáveis de estupidez que me têm impregnado corpo e alma nos últimos tempos, transformaram-se no pesadelo de qualquer pessoa com um mínimo de consciência. Transformaram-se no meu pesadelo.
Já normalmente me tenho em fraca conta, e dou toda a razão aos meus amigos e à minha mãe, quando me dizem que sou a principal inimiga de mim mesma, que não me organizo, não me defendo nem me preservo. Dou-lhes razão passivamente, ouço-lhes as críticas, aceito-as, mas não reajo nem ao estalo. Sou uma deixa-andar. Mas hoje assustei-me. Ainda ontem dizia a uma das minhas melhores amigas que receava que o meu cérebro, cheio que anda de merdas que não interessam, me falhasse quando tivesse de funcionar para coisas importantes. Ora aí está um sinal que é um bom exemplo da materialização dos meus receios. Desgovernada. Desencabrestada, mais uma vez, como diz a minha mãe. E ontem, falava à minha amiga de uma situação em que, já fora de todos os limites aceitáveis, já de forma tardia e extemporânea, disse, chega, enchi, cansei, fartei. E ela dizia-me que há coisas que apenas pecam por tardias, mas que mais vale tarde que nunca. E eu estou a precisar de dizer basta a coisas mais sérias e importantes. Estou a precisar de dizer basta a esta forma idiota que tenho de ser e de pensar, a esta inversão de prioridades com que vivo (boa piada) a minha vida, e que me estão a custar a sanidade mental, mas pior, a saúde física, e coisas práticas como o mestrado, a conta bancária, a eficiência quotidiana.
Estou furiosa. Preciso de dizer um basta definitivo a esta confusão horrorosa. Preciso mesmo muito, e com urgência, de crescer. Se não por mim (o que é que eu alguma vez fiz por mim…), pela minha mãe, pelos meus amigos, por toda essa gente que se sente revoltada e impotente perante uma pessoa que não gosta dela nem metade do que todos eles gostam, e anda pela vida com a inconsequência própria de uma criança de cinco anos metida num corpo de 33.
5 comentários:
olá
a idade de Cristo, 33. Aproveita a Páscoa para mudares qb, aquilo que queres mudar. ressuscita para uma nova etapa.
Beijinhos e Boa Páscoa
Muita atenção com a saúde. Põe post-it em todo o lado, lembranças no telemovel, pequenos recados no frigorifico, mesmo que estejam repetidos pode ser que nao te esqueças das coisas
bjinho grande
A Mzinha disse tudo.
Também faço minhas as palavras da Mzinha...
beijinhos, Boa Páscoa e Bom Descanso
Ninguém merece que ponhamos a nossa saúde física e mental em risco... Ninguém! Eu comecei hoje a tentar interiorizar isso (já adivinharás porquê...).
Cuida-te, Jade! Acima de tudo e de todos... cuida-te!
Um beijo enorme
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