terça-feira, 3 de março de 2009

O Mundo que páre, que eu quero apear-me

No outro dia comentava com um colega que, ao chegar a casa depois de um dia de trabalho, tinha dado todo o tempo como perdido, e me tinha resignado a outra noite de televisão e falta de vontade para tudo o resto. Sentia-me, sinto-me muitas vezes, inclusivamente hoje e agora, claustrofóbica na minha pele, na minha vidinha. Por causa disso, nessa tarde em particular, desafiei a Mzinha para a primeira caminhada do ano. E, quando chegámos, jantámos rojões e bebemos vinho tinto. E aquele dia perdido, que não deixou de o ser, apesar de tudo, ganhou sabor e alguma animação, mostrando que as cinco da tarde não são horas de se arrumar as botas e duvidar de boas surpresas.
Ontem li o post da Carolina intitulado “Não me Apetece”. Mais uma lista, desta feita, atribuída por ela à TPM. Respondi-lhe, quem me dera só me sentir assim em TPM. Porque, meus amigos, esta semana está a dar cabo de mim. Primeiro porque estou com uma pseudo-gripe que não desenvolve nem desaparece. E eu estou farta dela até à ponta das amígdalas doridas. Depois porque... bem, Carolina, prometi-te um mail e até já alinhavei um texto, mas está tão, tão, deprimente, que nem o vou enviar. Começo a odiar este teclado pelo qual os meus dedos divagam independentes de mim, só dizem baboseiras, irritam-se contra o cérebro e o coração, dedilham mornas e impacientes frases-feitas, suspiram mágoas e gritam silêncios. Começo a odiar este écran.
Não me apetece, seguindo o teu estilo, escrever, e ainda me apetece menos não escrever e ficar a sós comigo sem expressão ou verbalização. Não me apetece sorrir nem rir, e ainda me apetece menos responder à pergunta “que carinha é essa, estás chateada?”. Não me apetece levantar e trabalhar e ir para a escola, nem me apetece ficar em casa sozinha. Não me apetece sair, nem com os amigos, acreditas? E ainda me apetece menos estar sozinha, que parece que quando fico sozinha, todas as vozes do Mundo falam ao mesmo tempo dentro da minha cabeça. Falam, não, gritam. Não me apetece tomar café nem comer chocolate (estou mesmo doente) nem ver o House nem a Grey (devo estar a morrer). Não me apetece aturar os gaiatos dos outros nem ser mãe dos meus. Não me apetece falar com a minha mãe, nem com os meus colegas, mas o silêncio, o silêncio tira-me do sério.
Não me apetece nada nem o seu contrário. E te garanto, TPM não é. Já viste que triste sina a nossa, quando nada nos apetece? Nem rir de uma piada mesmo perfeita? Nem chorar com tudo o que nos entristece? Nem nos chatearmos com as coisas que nos tiram do sério?
Sabes, Carolina, TPM não é. Só espero que seja da gripe. E que hoje, sem rojões ou vinho tinto num dia que não podia ter sido mais perdido, me possa estirar na cama e adormecer sem passar a limpo (só hoje, Meu Deus, por favor, só hoje!) os apontamentos do dia.

2 comentários:

Shadow disse...

com o mesmo nada terminei ontem as aulas... e deixei o carro seguir em direcção à praia. Sentei.me no muro e pus os pés na areia.. dp foi so ficar em silencio à espera que a nuvem deixasse ver o sol e que este mergulhasse no mar sem perder qlq brilho do seu esplendor laranja.

silencio bom onde tudo parou. Qd o relogio voltou a contar lá voltei gelada para o carro e para a gripe que estava no quentinho a espera :) bj

Inside me disse...

JSJ

Há dias assim em que nada apetece, dias em que nada está bem...

... em que o mundo não é nosso... somos marcianos numa terra que não entendemos...

...o tirem-nos deste filme onde não quero ser actor..

...mas temos que continuar... o mundo não pára... não dá para nos apear-mos.

beijos NIPT