terça-feira, 3 de março de 2009

Fraude*

para que nunca te esqueças
que em cada
pessoa
há uma fraude
e que
eu
não sou diferente,
lembra-te:
por trás de um sorriso rasgado
há cascatas de lágrimas.
atrás de uma voz grave e segura,
há hesitação e gaguez.
um ar calmo e estóico, indiferente e ausente
esconde tempestades, turbilhões e tornados.
lembra-te
que os olhos são os espelhos da alma
e os meus são pretos.
recorda-te
que quando olhas
para mim
não é
a mim
que vês.
para que nunca te esqueças
que a todos
nós
ensinaram o mesmo,
lembra-te
sempre
que há muita miséria
escondida
num sorriso aberto.
se não te esqueceres
que cada pessoa em quem tropeças
esconde sempre qualquer coisa
de triste,
talvez te lembres
de tratar com carinho
todos nós
fraudes
que existem
com toda a
leveza
que conseguem aparentar.

(* à maneira de Ondjaki, escreve-se aqui uma nota de rodapé para sossegar o Pan e enviar uma pista de leitura: fraude, aqui, despe-se de roupas ofensivas e mostra a sua nudez feminina de formas belas e alegres, mas âmago pesado e sofrido. Defrauda aquele que se mostra melhor do que sabe ou pensa ser, e a alegria é, com certeza, melhor que as trevas que nos habitam)

(Pan, obrigada pela inspiração, este poema surgiu da nossa conversa no mundo virtual; House, este hoje é, muito especialmente, dedicado a ti)

8 comentários:

Carolina do Mónaco disse...

Gosto mesmo desta work in progress aqui instalada.

Inside me disse...

JSJ

Gostei deste teu poema...

... a fraude que está escondida ... em nós... é bem verdade...

Beijos NIPT não fraudulentos

Anónimo disse...

E a assistir à missa e a rezar por cima do padre!Tlim tlom tlim...ferrinhos!!
Pan

Jade disse...

Carolina e InsideMe, tenho que confessar, com a maior modéstia do Mundo, que também gosto do resultado.

Pan, para ti apenas uma pergunta: "Isto é xilofone?" LOL: Adoro-te, porque, no meio da fraude, me fazes rir sem parar.

http://teiadaranha.blogs.sapo.pt disse...

Sim, querida Jade, estás cheia de razão: assenta-me que nem uma luva...

Beijo

Jade disse...

Eu diria que infelizmente. Infelizmente assenta-nos que nem uma luva e infelizmente estamos em sintonia. Beijos

Alexandra disse...

Gostei muito deste poema. Identifico-me bastante com ele, em certos pontos. Muitos parabéns querida Jade. :)

Beijinho*

Jade disse...

Eu não sou poeta. Não sou. Gosto de prosa, sinto-me à vontade com ela. A poesia espartilha-me, o concentrado aflige-me. Mas esta gostei de escrever. Gostei da forma como surgiu, gostei do brainstorming no meio de um bate-papo do gmail e gostei do resultado final. Ainda que o verdadeiro destinatário nunca a leia e mesmo que o fizesse, jamais comentasse, gosto. Obrigada, Alexandra.
Beijos