Ainda a trabalhar, com o HOUSE como pano de fundo só por descargo de consciência, a rir-me das respostas tortas dele que vou ouvindo, que nem para a televisão olho, para não roubar mais horas ao sono, a maldizer a hora em que me prontifiquei para ajudar uma colega com quem não tenho a confiança suficiente para atirar um “esquece, desenrasca-te que hoje não me apetece”, e a mim, cacete, quem é que ajuda?, enfim, envenenada pela minha própria disponibilidade e simpatia com toda a gente, e feitiozinho de cão comigo mesma, dei comigo a lembrar-me do meu orientador de mestrado, enquanto corrijo a treta do relatório que nunca mais acaba.
Lembrei-me dele, e dum seminário em que falávamos sobre literatura e arte, e discutíamos formas de pop art como a publicidade. A conversa foi dar ao sex-appeal e eu, claro, abstive-me, que essa cena do sex-appeal é um assunto que eu não domino. E eu não gosto de falar sobre coisas que me são estranhas. É claro que ele, no intervalo para café, me veio chatear a tola, “Então, magrinha, está tão caladinha hoje, comeu alguma ervilha que lhe caiu mal?”. Não me desmanchei, ao contrário dos meus colegas que rebolaram logo a rir, e disse-lhe que achava que uma pessoa como eu, de uma naturalidade inconveniente, resposta pronta e genuinidade sarcástica e agressiva, era a última mulher do grupo a poder falar sobre essa teia que é a sensualidade, essa encenação de gestos estudados, olhares significativos, agitar de cabelos e pestanejares lentos, tão próprios dessas mulheres invejáveis que têm a mínima noção do que estão a fazer quando se trata de impressionar e seduzir homens.
E ele disse-me uma coisa que eu nunca mais esqueci. O riso, minha querida, o riso é a expressão da mais profunda sexualidade. Uma mulher que se ri é uma mulher de bem com a sua sensualidade. E você ri-se muito. Ri-se para dar e vender. Aliás, está sempre a rir-se, especialmente de si própria. Não seja parva. Já agora, acrescentou, a sua voz também não é nada feia. É pena é gostar de a estragar com esses cigarros a que não resiste.
Fiquei a olhar para ele com cara de parva e, claro, ri-me. Depois, pior a emenda que o soneto, disse-lhe, ignore esta última gargalhada, ela nunca aconteceu. E foi a vez dele rebentar a rir. Uma tipa já nem rir pode…
E lembrei-me disto quando dei comigo enfastiada até à quinta casa com o estupor do relatório, e ainda assim a rir-me baixinho com o HOUSE: Devo ser realmente uma gaja cheia de sex-appeal, que desperdício… e, agora que penso nisso, a vida de algumas pessoas que eu conheço deve andar muito casta, nunca se riem… mas se formos a ver pelo meu exemplo, se calhar é ao contrário, hummm, estão a surgir-me umas imagens que metem cá um ME-DO!!! Vou ali já venho, dormir sobre o assunto, que já nem vejo vírgulas.
Lembrei-me dele, e dum seminário em que falávamos sobre literatura e arte, e discutíamos formas de pop art como a publicidade. A conversa foi dar ao sex-appeal e eu, claro, abstive-me, que essa cena do sex-appeal é um assunto que eu não domino. E eu não gosto de falar sobre coisas que me são estranhas. É claro que ele, no intervalo para café, me veio chatear a tola, “Então, magrinha, está tão caladinha hoje, comeu alguma ervilha que lhe caiu mal?”. Não me desmanchei, ao contrário dos meus colegas que rebolaram logo a rir, e disse-lhe que achava que uma pessoa como eu, de uma naturalidade inconveniente, resposta pronta e genuinidade sarcástica e agressiva, era a última mulher do grupo a poder falar sobre essa teia que é a sensualidade, essa encenação de gestos estudados, olhares significativos, agitar de cabelos e pestanejares lentos, tão próprios dessas mulheres invejáveis que têm a mínima noção do que estão a fazer quando se trata de impressionar e seduzir homens.
E ele disse-me uma coisa que eu nunca mais esqueci. O riso, minha querida, o riso é a expressão da mais profunda sexualidade. Uma mulher que se ri é uma mulher de bem com a sua sensualidade. E você ri-se muito. Ri-se para dar e vender. Aliás, está sempre a rir-se, especialmente de si própria. Não seja parva. Já agora, acrescentou, a sua voz também não é nada feia. É pena é gostar de a estragar com esses cigarros a que não resiste.
Fiquei a olhar para ele com cara de parva e, claro, ri-me. Depois, pior a emenda que o soneto, disse-lhe, ignore esta última gargalhada, ela nunca aconteceu. E foi a vez dele rebentar a rir. Uma tipa já nem rir pode…
E lembrei-me disto quando dei comigo enfastiada até à quinta casa com o estupor do relatório, e ainda assim a rir-me baixinho com o HOUSE: Devo ser realmente uma gaja cheia de sex-appeal, que desperdício… e, agora que penso nisso, a vida de algumas pessoas que eu conheço deve andar muito casta, nunca se riem… mas se formos a ver pelo meu exemplo, se calhar é ao contrário, hummm, estão a surgir-me umas imagens que metem cá um ME-DO!!! Vou ali já venho, dormir sobre o assunto, que já nem vejo vírgulas.
1 comentário:
Ah sim?! Quem se ri muito tem sex-appeal?! Então já somos duas a tê-lo! Eu também, embora esteja triste, rio-me por tudo e por nada... Olha, não sabia, mas se foi dito por um homem, e ainda por cima experiente, há que acreditar ;)
Então vamos rir bastante!!! :D
Bjns
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