Todos nós temos segredos. Melhor, todos nós somos segredos. Ainda melhor, todos nós não sei, mas falo muito confortavelmente por mim. Há quem diga que sou um poço sem fundo que faz muito eco. Adoro esta frase, o pormenor do eco, que me transforma abruptamente duma pessoa de confiança numa nulidade em questões de subtileza. Não vos digo se corresponde à verdade, será (mais um) segredo.
Mas a verdade é que, acusada de me expor em demasia neste blogue, sorrio abertamente. Acusada de ser uma língua de trapos, quase solto uma gargalhada. Isto porque, no matter what, continuam a escolher-me como confidente privilegiada. Os meus colegas pasmam: “já sabias?”, “como é que sabes isso?”, “mas tu sabes tudo?”. Não. Ouço muito. Vejo muito. Somo dois e dois e não sou das que se surpreendem quando o total é cinco. E tenho telhados de vidro. Há coisas muito minhas que nem às paredes confesso. E, daí, talvez não, talvez, afinal, confesse tudo.
Porque não é que me envergonhe. Não é que tenha esqueletos a apodrecer no armário. É que eu acho que a maior beleza de um ser humano é a capacidade de surpreender. Pela positiva, claro está. Por isso guardo segredos tempos infinitos para os desvendar depois a alguns (que considero) privilegiados. Acho, agora que penso nisso, que não há um segredo meu que ninguém saiba. Todos eles estão partilhados, simplesmente estão partilhados com pessoas diferentes. A um confessei isto, com outra partilhei aquilo, com aquele vi isto, com aqueloutro vivi clandestinamente aquilo, àquela mostrei um outro pormenor guardado, à outra contei uma história já quase esquecida. Ninguém sabe tudo sobre mim, nem eu. Mas reservo-me o direito de ninguém saber mais de mim que eu mesma. E assim, a par dos segredos revelados, vou lançando boatos duvidosos a meu próprio respeito.
É nos segredos partilhados que multiplicamos cumplicidades. Às vezes, esses segredos residem em desabafos que esperamos que as pessoas não repitam em público. Mais uma vez, lá está, não porque sejam mentiras, nem porque sejam humilhantes. Simplesmente, porque não há nada mais belo que a cumplicidade. E matá-la numa mesa de café, à frente de tanta gente, é um pecado maior que simular verdades que não existem. Tenho muitos segredos. Tantos quantos os confidentes cúmplices que vou escolhendo a dedo, e encontrando nos sítios mais inusitados.
Mas a verdade é que, acusada de me expor em demasia neste blogue, sorrio abertamente. Acusada de ser uma língua de trapos, quase solto uma gargalhada. Isto porque, no matter what, continuam a escolher-me como confidente privilegiada. Os meus colegas pasmam: “já sabias?”, “como é que sabes isso?”, “mas tu sabes tudo?”. Não. Ouço muito. Vejo muito. Somo dois e dois e não sou das que se surpreendem quando o total é cinco. E tenho telhados de vidro. Há coisas muito minhas que nem às paredes confesso. E, daí, talvez não, talvez, afinal, confesse tudo.
Porque não é que me envergonhe. Não é que tenha esqueletos a apodrecer no armário. É que eu acho que a maior beleza de um ser humano é a capacidade de surpreender. Pela positiva, claro está. Por isso guardo segredos tempos infinitos para os desvendar depois a alguns (que considero) privilegiados. Acho, agora que penso nisso, que não há um segredo meu que ninguém saiba. Todos eles estão partilhados, simplesmente estão partilhados com pessoas diferentes. A um confessei isto, com outra partilhei aquilo, com aquele vi isto, com aqueloutro vivi clandestinamente aquilo, àquela mostrei um outro pormenor guardado, à outra contei uma história já quase esquecida. Ninguém sabe tudo sobre mim, nem eu. Mas reservo-me o direito de ninguém saber mais de mim que eu mesma. E assim, a par dos segredos revelados, vou lançando boatos duvidosos a meu próprio respeito.
É nos segredos partilhados que multiplicamos cumplicidades. Às vezes, esses segredos residem em desabafos que esperamos que as pessoas não repitam em público. Mais uma vez, lá está, não porque sejam mentiras, nem porque sejam humilhantes. Simplesmente, porque não há nada mais belo que a cumplicidade. E matá-la numa mesa de café, à frente de tanta gente, é um pecado maior que simular verdades que não existem. Tenho muitos segredos. Tantos quantos os confidentes cúmplices que vou escolhendo a dedo, e encontrando nos sítios mais inusitados.
13 comentários:
Após esta leitura, há muita gente a pensar.... que segredos.
A intenção é exactamente essa... quero ver é quem é que tem o desplante de nos sondar. LOOOOL
engraçado, não te via, !também tu!, como uma pessoa de "prateleiras"...
funny :)
Concordo contigo, todos temos segredos, todos somos segredos. Tenho os meus segredos, uns que partilho outros que prefiro não partilhar, porque nunca se proporcionou ou simplesmente porque prefiro assim, porque não sinto a vontade suficiente para os contar. E continuo a ser um segredo mesmo para mim, as vezes penso que não me conheço e que o que tinha descoberto sobre mim antes deixou de fazer qualquer sentido.estou em descoberta constante
Mais uma vez gostei muito do teu texto.bj***
Shadow? Prateleiras? Isso tem interpretações obscuras, que queres tu dizer com tal coisa?
Sílvia... lindo, lindo é quando somos segredos para nós próprias. Espero ter essa sensação toda a vida. Mesmo que não vá gostando do que descubro, sempre é uma aventura!
Beijos
Maravilhoso, maravilhoso é o segredo que guardo na mão, como tambem no coração. Só assim poderei ser eu, na minha descoberta de encontrar quem não tem o segredo de se encontrar com quem não.
hihihih!
LOOOOOOOLLLLL!
Lindo, Miro, lindo! Estiveste tão bem.
Jade Secret Jade
Magnifico Secrets
Expões-te até onde queres, é essa a tua força de seres como és ...venham eles... que cá estou ;-)
Claro que no matter what és confidente privilegiada... tens o Segredo ... de não mandar dizer...dizes...
Claro isto é tudo divagações de alguem para quem a Jade é um Segredo.
Secrets NIPT
Mirovich muito bom...
Quem se interessa e que interesse tem uma folha de papel, branca, poisada sobre uma qualquer mesa?"0"
Porém, esteja ela dobrada em dois, em quatro ou em mais e alguém irá desdobrá-la para ler o que lá se escreveu. E depois de uma primeira leitura até pode olhar à volta e mais calmamente voltar a ler. Nalgumas situações até a guarda como sua.
Todavia, se apesar de dobrada continuar em branco então será jogada displicentemente de regresso à mesa ou directamente para o chão.
Porque é o que está escondido que merece o nosso interesse; que desperta a nossa atenção.
Nada havendo, nada há para ver!
Com as pessoas não há diferenças. Eu acho!
E eu concordo. Não saberia é dizê-lo tão bem. Bjos
"pessoa de prateleiras"... ok percebo que haja mais do que uma associação à coisa ;)
Referia.me a distribuir as pessoas no nosso nível de interesse e interesses... pessoas diferentes para situações diferentes. Confidencias diferentes para aceitações diferentes (boas e más) que achamos são as necessárias e que vamos trazer dali.
Distribuir de forma a que tenham as partes... mas que permaneça o "misterio" do TODO.
... prateleiras...
Não sei se já deu para captar, mas não sou pessoa para me expôr muito, não sou um livro aberto. Sou talvez daqueles livros que ainda vêm com páginas coladas e que só eu abro e que só mostro a quem quero, a quem me inspira comfiança para tal.
Tenho segredos, tenho coisas que só partilho com uma pessoa, tenho outras que só partilho com duas ou três. E as que não partilho com ninguém são as que mais me consomem, as que mais me fazem sofrer, talvez por isso mesmo... porque não as consigo partilhar, porque acho que o melhor é morrerem comigo...
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