sábado, 17 de janeiro de 2009

Hoje (parte 2) A Saga Continua

Cheguei agora a casa. Belas horas... mas eu avisei, nos meus objectivos pessoais (deverei eu decalcá-los para a lista de objectivos individuais que me vão obrigar a entregar até 6 de Fevereiro?) de Ano Novo, que ia sair à noite com os amigos mais vezes... e estou a cumprir. (3 pontos na Avaliação, mais 2 e faço linha, mais 10 e faço bingo).
Para quem acabou de chegar, avance para a casa seguinte, sem passar pela partida e receber os dez euros. Este post é continuação do anterior, e acho que amanhã escrevo a conclusão, em jeito de trilogia.
Tinha ficado nas ameaças. São descaradas. Um Governo em maioria absoluta nem se dá ao trabalho de disfarçar intenções absolutistas e fala abertamente em sanções. Os executivos ajoelham. Capitulam. Alguns resistem. Mas poucos. As nossas hierarquias superiores, por nós eleitas, acobardam-se e não nos representam nem nos dão voz. Estou careca de dizer isto à minha chefe, à minha vice, ao contrário de alguns titulares que lhes sorriem pela frente, as avisam do perigo de ter amigos como eu (que as criticam em reuniões sindicais) quando depois, pelas costas, são os primeiros a apoiar denúncias anónimas para a inspecção escolar, sonhando com o dia em que vão conseguir o supremo poder de dirigir uma escola. Bem hajam os pobres de espírito, os tais que chegaram a titulares porque existem, tão somente, nas escolas, a mobilar, há anos demais, ou os outros, piores ainda, ressabiados por não serem titulares e frustrados por não terem o (ridículo) poder de mandar seja em quem for. Uns tristes, todos eles. Curtas ambições, quando a ambição máxima é uma cadeira num gabinete que os livre do contacto com os alunos que desprezam.
E, por isso, digo, de minha justiça: Li en passant o comentário de um anónimo (Qualquer-Coisa Catano) ao texto anterior. Percebi a ideia geral. Não concordo com ela. Mas não a vou rebater. Avisei, logo de início que isto é um texto pouco analítico e nada imparcial. O Sr. Catano fala com a sabedoria que lhe confere a profissão docente, que é a mesma que a minha. Não, não disse que era professor. Mas também não escondeu os tiques, ficou apresentado. E logo ali se vê, no seu comentário, em comparação com o meu, a cisão (cisões) dentro do grupo.
Arrogantes os que põem medos em casas alheias. Quem sou eu para dizer que os meus colegas têm medo de ser avaliados? Quem é o Sr Catano para dizer dos outros o que, com certeza, não afirma sobre si próprio?
Esta questão transformou-se numa comédia de costumes, caíu na mais decadente palhaçada. Sei quem sou e o que valho. A DREA, no ano passado, foi mais vezes avaliar um projecto que estou a desenvolver na escola, que as minhas orientadoras de estágio quando o fiz. Avisavam-me, às vezes, de véspera. Quando começaram a aparecer, eu nem sabia o que iam observar, o que queriam ver, quanto tempo ficariam. E foi sempre pacífico. Nunca pus entraves, nunca tremi das pernas, nunca perdi o sono, nunca pestanejei. Sei para o que me pagam, sei o que devo fazer, sei o que estou a dizer e se me perguntam algo que não sei, meus amigos, ninguém é perfeito, queimem-me em praça pública.
Jamais tive medo de ser avaliada. Venham as avaliações. Se forem más, digam-me onde posso melhorar. Não cometo os mesmos erros muitas vezes. Sou boa aluna, aprendo depressa. E sei que sou boa professora. Não sou excelente, nem sei se sou muito boa, conheço bem melhor. Mas também conheço muito pior.
E a questão que ponho, na avaliação de desempenho, é só uma: se os avaliadores não têm os ditos no sítio, para bater com a porta como deviam, por questões económicas ou de jogos de poder (que as questões de valores são claras e nenhum deles as cumpre), terão os ditos no sítio para atribuir "não satisfaz" aos amigos incompetentes? Terão os executivos, que não levantam a grimpa à ministra, os ditos no sítio para "chumbar" titulares e avaliadores? Não têm. Então eu, que sou contra esta fantochada toda, e NÃO TENHO MEDO DE SER AVALIADA, e até acho que o Bom é justo para alguém como eu, se estivermos a avaliar com isenção, digo aqui, publicamente, que se me derem Bom (que eu mereço) a mim e também derem Bom às nódoas do meu Departamento, vai haver recurso. Repito, vai haver recurso. Porque eu sou boa, e há melhores. Só que eu sei quem são. Os melhores. Os piores, não sei eu quem são, sabe toda a gente. E livrem-se de me meter no mesmo saco com eles.
Quem tem medo da avaliação, afinal?
I'll be back for part three, "The Return of the King"

2 comentários:

Shadow disse...

"Porque eu sou boa, e há melhores. Só que eu sei quem são. Os melhores. Os piores, não sei eu quem são, sabe toda a gente. E livrem-se de me meter no mesmo saco com eles."

Já li, ouvi e disse tanta coisa sobre esta fantochada que já fujo de o fazer assim como... hmmm, cm a ministra dos ovos. Mas é exatamente isto que dizes e cito. E por fim, dizer só que tenho pena deste ambiente de merda (chamemos as coisas pelo nome) que cada vez mais tira a vontade e gozo desta profissão.

Para já, e cheira.me que para os proximos anos, vale o mimo, a avaliação e o carinho que fazem os alunos e ex.alunos nas salas, nos corredores, no hi5 ou para as cotas dos exelentes: no telemovel.

Carolina do Mónaco disse...

Há uma coisa muito preocupante em algumas escolas por este Portugal fora. Já não se vota, porque não há listas. Nomeia-se o amigo ou a amiga que demonstra vontade de ser presidente do CE.
Já não se valorizam campanhas, debates, ideiais, planos, projectos. Que exemplo é este? Não admira que alguns miúdos demonstrem uma ignorância a apatia política e digam:"São todos iguais!"
E mais uma coisa, os titulares que conheço não são merecedores do titulo!