Pronto, OK. A pedido de várias famílias (não muitas, vá, mas distintas) o estaminé reabre com a mesma gerência durante o período de pausa, em virtude da patroa ter ganho um prémio no Euromilhões. Pois foi. A senhora da tabacaria ia-me matando de susto quando pôs o bilhetinho na máquina e, enquanto eu folheava desinteressada uma revista cor-de-rosa, se sai com esta pérola: “(diminuitivo do diminuitivo)!!! Ganhaste um dinheirão!” Ia morrendo, até perceber que o dinheirão era menos de trinta euros. Não me estou a queixar, mas tive um ensaio geral do que se passaria se fosse “O Prémio”. E vou redigir um testamento já a seguir, para o caso de isso um dia acontecer, que eu morro logo na horinha e a haver Bahamas, é para a minha mãe… Claro que vim para casa a resmungar com a taquicardia e a rir-me intimamente da ironia de isso acontecer depois do post “Aviso”. Decidi logo que tinha que escrever qualquer coisita… tenho é pouco assunto. Ou talvez não.
Hoje fui com uma amiga visitar o Museu do Oriente. A ideia foi do marido dela, ai, e tal, ainda nunca lá fui, e eu logo, nem eu, nem eu, vamos, vamos lá, uma exposiçãozita é mesmo do que estou a precisar, que já nem vejo shoppings e embrulhos e sacos de plástico e fitas à frente. Combinámos isto a 25, num café preguiçoso que tomámos no único sítio aberto que encontrámos. Hoje, o macho estava de molho gripal, e a minha amiga achou que, visto eu estar em retiro permanente numa cidade onde não se passa nada e o que se passa está sempre esgotado, não me ia fazer a desfeita.
Belo dia para se sair de casa. Chovia que Deus a dava e, se há coisa que me tira do sério (como se a seriedade fosse uma das minhas melhores qualidades) é a chuva aliada ao frio. Mas ora bolas, cacete, depois de tanto dia a vegetar em frente à televisão, o “esquadrão da cultura” não se ia deixar intimidar por o céu ameaçar cair-lhe em cima da cabeça, isso é que não.
E fomos. E foi o máximo. Vimos uma exposição temporária de máscaras usadas para teatro e tributos religiosos. Passou-me várias vezes pela cabeça que máscara por máscara, antes a minha, que sempre dá um ar semi-natural à cara que Deus me deu. Com mais ou menos maquilhagem, antes isso que andar por aí a tentar agradar aos Deuses disfarçada de macaco, (Os indianos e os indonésios adoram máscaras de macaco, não percebo), papagaio ou leão sem juba. Ou de concubina. Eu e a minha amiga ainda nos fartámos de dissertar com a história do concubinato, que isto da cultura também é, como todas as áreas de discussão existentes, pretexto para se falar de sexo. Adiante.
Avançámos destemidas para as exposições permanentes. Adorámos. O museu é enorme, e criaram um ambiente fenomenal, com pouquíssima luz e tudo em tons de negro e vermelho, só cortados pela luz e cor das vitrinas e objectos nelas expostos. Claro que, dada a dimensão do bicho, estivemos várias horas lá metidas dentro, e as conversas variavam entre o intelectual (pérolas, pérolas, que nós somos as duas cultíssimas) e o profundamente fútil. Às tantas deu-me uma azia “asiática” e fomos ao café. Fiquei triste por não encontrar um ambiente japonês em que servissem chá connosco sentadas no chão, mas o que se arranjou foram meias-de-leite e queques e voltámos para ver as outras salas.
No segundo andar, fomos dar com uma exposição sobre divindades orientais, aprendi umas coisas sobre o Taoísmo, e o Hinduísmo, e as religiões japonesas, o Budismo, enfim, lá andámos nós feitas parvas, a observar de perto a nossa ignorância. Que é muita, como a de todas as pessoas cultas como nós.
Aconselho o museu a todas as mentes abertas e curiosas. Levem sapatos confortáveis. Arrisquem uma visita guiada, que eu e a minha amiga adesivámo-nos a uma em que um puto beto muito “sei-lá” dizia que as caixinhas onde os guerreiros samurais guardavam o chá nos cintos eram semelhantes a isqueiros zippo (é claro que uma cretina como eu nunca mais na vida vai decorar o nome correcto das ditas caixas e cacarejou o tempo todo à amiga que “faltava ver os zippos com atenção, pá, ainda não fomos aos zippos…”) e que o capacete do Darth Vader tinha sido inspirado nas armaduras dos samurais (fazendo com que a imbecil de serviço, eu, não resistisse a trautear a música do Star Wars sempre que nos aproximávamos de algo que tivesse remotamente a haver com samurais…)
Depois de tanto Natal e Cristo nas palhinhas, acho que enfureci também os deuses asiáticos. Ou não. No meio de tanta divindade, não vi nenhuma ao sentido de humor, mas os orientais são, pelo menos, mais pragmáticos e menos hipócritas, o que quer dizer que talvez me perdoassem as brincadeiras mais facilmente. E não acredito que, perante uma pedra que simboliza um falo de dimensões que impõem, pelo menos, respeito, os deuses não estejam à espera de comentários menos próprios de duas comuns mortais. De sentido de humor cáustico.
Hoje fui com uma amiga visitar o Museu do Oriente. A ideia foi do marido dela, ai, e tal, ainda nunca lá fui, e eu logo, nem eu, nem eu, vamos, vamos lá, uma exposiçãozita é mesmo do que estou a precisar, que já nem vejo shoppings e embrulhos e sacos de plástico e fitas à frente. Combinámos isto a 25, num café preguiçoso que tomámos no único sítio aberto que encontrámos. Hoje, o macho estava de molho gripal, e a minha amiga achou que, visto eu estar em retiro permanente numa cidade onde não se passa nada e o que se passa está sempre esgotado, não me ia fazer a desfeita.
Belo dia para se sair de casa. Chovia que Deus a dava e, se há coisa que me tira do sério (como se a seriedade fosse uma das minhas melhores qualidades) é a chuva aliada ao frio. Mas ora bolas, cacete, depois de tanto dia a vegetar em frente à televisão, o “esquadrão da cultura” não se ia deixar intimidar por o céu ameaçar cair-lhe em cima da cabeça, isso é que não.
E fomos. E foi o máximo. Vimos uma exposição temporária de máscaras usadas para teatro e tributos religiosos. Passou-me várias vezes pela cabeça que máscara por máscara, antes a minha, que sempre dá um ar semi-natural à cara que Deus me deu. Com mais ou menos maquilhagem, antes isso que andar por aí a tentar agradar aos Deuses disfarçada de macaco, (Os indianos e os indonésios adoram máscaras de macaco, não percebo), papagaio ou leão sem juba. Ou de concubina. Eu e a minha amiga ainda nos fartámos de dissertar com a história do concubinato, que isto da cultura também é, como todas as áreas de discussão existentes, pretexto para se falar de sexo. Adiante.
Avançámos destemidas para as exposições permanentes. Adorámos. O museu é enorme, e criaram um ambiente fenomenal, com pouquíssima luz e tudo em tons de negro e vermelho, só cortados pela luz e cor das vitrinas e objectos nelas expostos. Claro que, dada a dimensão do bicho, estivemos várias horas lá metidas dentro, e as conversas variavam entre o intelectual (pérolas, pérolas, que nós somos as duas cultíssimas) e o profundamente fútil. Às tantas deu-me uma azia “asiática” e fomos ao café. Fiquei triste por não encontrar um ambiente japonês em que servissem chá connosco sentadas no chão, mas o que se arranjou foram meias-de-leite e queques e voltámos para ver as outras salas.
No segundo andar, fomos dar com uma exposição sobre divindades orientais, aprendi umas coisas sobre o Taoísmo, e o Hinduísmo, e as religiões japonesas, o Budismo, enfim, lá andámos nós feitas parvas, a observar de perto a nossa ignorância. Que é muita, como a de todas as pessoas cultas como nós.
Aconselho o museu a todas as mentes abertas e curiosas. Levem sapatos confortáveis. Arrisquem uma visita guiada, que eu e a minha amiga adesivámo-nos a uma em que um puto beto muito “sei-lá” dizia que as caixinhas onde os guerreiros samurais guardavam o chá nos cintos eram semelhantes a isqueiros zippo (é claro que uma cretina como eu nunca mais na vida vai decorar o nome correcto das ditas caixas e cacarejou o tempo todo à amiga que “faltava ver os zippos com atenção, pá, ainda não fomos aos zippos…”) e que o capacete do Darth Vader tinha sido inspirado nas armaduras dos samurais (fazendo com que a imbecil de serviço, eu, não resistisse a trautear a música do Star Wars sempre que nos aproximávamos de algo que tivesse remotamente a haver com samurais…)
Depois de tanto Natal e Cristo nas palhinhas, acho que enfureci também os deuses asiáticos. Ou não. No meio de tanta divindade, não vi nenhuma ao sentido de humor, mas os orientais são, pelo menos, mais pragmáticos e menos hipócritas, o que quer dizer que talvez me perdoassem as brincadeiras mais facilmente. E não acredito que, perante uma pedra que simboliza um falo de dimensões que impõem, pelo menos, respeito, os deuses não estejam à espera de comentários menos próprios de duas comuns mortais. De sentido de humor cáustico.
22 comentários:
nem sei por onde começar... talvez pela parte da "imbecil de serviço" normalmente costumo ser eu :D
(este comentário é imbecil, precisamente nesse proposito, ora pois!)
Dizer só, que quebrada a promessa não há volta a dar, agora é bom que continues a escrever até te dar mesmo o piripake d"O Premio" :')
Não foi bem uma promessa, era mais uma vontade...
Shadow, querida, onde há um sagitário há sempre um imbecil de serviço. Não há signo mais dado à gaffe e à piadinha parva. É por isso que há quem nos ache... adoravelmente irresistíveis!
O macho engripado foi encontrado ainda com resquicios de enfermidade mas a melhorar e cheio de pena de não ter ido.
INRO é o nome das caixinhas do tamanho dos zippos, que guardavam selos e ervas medicinais.
Gabo-te a memória. Nunca mais na vida me lembraria de tal. E, já agora, lembras-te do nome daquela religião japonesa (xentoísmo, será?) e dos deuses do lar? É que eu ando que pareço aquela peixa maluca do Nemo. Também não me lembro do nome dela, go figure...
Bem o prémio do Euromilhões dá para enviares os postais das Bahamas aos amigos. Mas o Grande Prémio não saiu,infelizmente, fizeste bem em escrever um texto, que a malta estava a espera.
Beijinhos
PS: já agora joga esta semana
É Bom estares de volta....
... e os milagres acontecem!!...
... foi pequenino....mas é um começo...
... outros estão em fila de espera...hehehe
... è tão giro quando eles nos desafiam (os milagres)...hehehe.
Bem vinda
Milagres NIPT ;-)
Não sou própriamente tímido mas também não sou lá muito afoito. Digo isto para justificar as minhas visitas a este blog para ler as prosas que por aqui moram, sem todavia comentar. Dito assim mais se assemelha a um voyeurismo, o que não é bem o caso; cusquice será mais correcto. Bem, se calhar as diferenças são menores que as semelhanças...
Hoje decidi-me e para dizer que foi bom para quem lê não ter acertado nos números e nas estrelas, porque originou este texto que adorei. Pronto, tá dito!
Peço desculpa pelo extenso comentário. Prometo não repetir tal coisa!
Aqui está uma pequena definiçãozinha: Xintoísmo é a religião tradicional do Japão, a única religião que pode ser considerada genuínamente japonesa, estreitamente ligada à cultura e modo de vida.
Os deuses do lar... temos de lá voltar.
A peixa chama-se Dori.(já vi o filme milhares de vezes: basta nadares, nadar, nadar)
Mzinha, podes crer que vou voltar a jogar. Era o que faltava: Ano Novo, Ataque Cardícaco, Morte Nova! Pelo menos o dinheiro fica para os que cá ficam se divertirem, nas Bahamas. Candidatos não faltam!
Inside Me, isto teve pouco de milagre, foi mais uma bofetada de luva branca do destino, sempre a trocar as voltas ao que tenho planeado...
Carolina, foste pesquisar à Net, ou retiveste mesmo esses pormenores todos? Bem me parecia que não estavas a ouvir nada do que eu te estava a contar: estavas a decorar as nomenclaturas todas, não? Agora não me venhas pedir para repetir as coscuvilhices...
Kok, volte sempre. O estaminé está aberto também para isso, para a quadrilhice, e não se iniba a comentar. Do que eu gosto mesmo, mais do que dos posts, é das retribuições dos leitores. Adoro, e já vou fazendo algumas amizades muito interessantes desta forma que, a priori, parece tão impessoal como virtual
Beijinhos a todos
Milagre, Destino...o que tinhas planeado... Bem agora tinhamos aqui pano para mangas... de boa conversa..hehe ;-)
Como não controlo o teu destino, para mim foi um milagre... ganhaste e voltaste para nós mais cedo...
Como pensas que planeias o teu destino, para ti foi uma bofetada de luva branca...
Para o destino... estava destinado ser assim...
hehehe...cada um com a sua interpretação... epá (não o gelado) isto dava mesmo pano para mangas... e até está frio...brrr ;-)
Boas Interpretações NIPT
Jade:
Mesmo correndo o risco de me achares uma pessoa repetitiva sem ponta de originalidade, não quero saber e vou dizer aquilo que me veio à cabeça assim que li o post (e que parece que veio à cabeça de muita gente lol):
Ainda bem que não te saiu o euromilhões!
Era estragar-te a vida. Problemas burocráticos, o não poderes sair à rua descansada, o medo que te raptassem o cão e o gato. Acredita que surgiria uma panóplia de paranóias associadas ao dito prémio LOL
E além disto tudo, a nossa vida também ficava um bocadinho mais pobre porque contigo nas Bahamas não acredito muito que o Jade Sweet Jade fosse actualizado de acordo com as necessidades do fiel leitor! =)
Beijinhos *
Aiii espera lá que não me expliquei bem lol Quando disse "ainda bem que não saiu" estava a falar do primeiro prémio!
Assim desses como o que te calhou, até te podiam sair todas as semanas (ou vá, como me sinto generosa, até mais qq coisinha). Até porque não são suficientes para emigrares para destinos paradisíacos e, além disso, motivam-te para a escrita! =)
Beijinhos *
Na verdade a sô dona wikipedia deu uma ajudinha. Mas a Dóri é uma fiel amiga, pois estamos sempre a ver o filme.
Bom ano
ah! e sim... foi à custa deste post k fui à prateleira buscar o panda kung fu - que era a coisa mais proxima de oriental que tinha - e levei com o PALACIO DE JADE na tromba.
Carolina, por acaso não tens o Panda Kung-Fu, não? É que a Shadow não pára de implicar com o bicho, a dizer que ele é Sagitário, e eu já não aguento de curiosidade. Se o meu sobrinho tivesse o filme para emprestar à tia, sempre era uma desculpa para mais um café, e eu lá cohecia o meu palácio...
Sol e Inside Me, obrigada, vocês são uns queridos... mesmo com esses comentários ao euromilhões, que não são lá muito simpáticos, ai, e tal, ainda bem que não ganhaste, ias ter tanta chatice... pois, e a maior de todas era bater a bota...
beijos
CLAAAARO que temos o Panda Kung Fu e o WALLe e o Nemo e o Dia de Surf e... e... só há um problemita... o DVD está avariado, mas podes ver no PC ou levar para casa sem o rapaz ver eheheheh.
eheheheheh!
Eu jogo o euromilhões comum grupo bem grande da nminha escola.
E não é que há cerca de 3 semanas, por volta d 1h, lembrei-me de ver os números, coisa que nunca faço antes de me deitar, e 1,2,3,4...O meu coraçao batia fortemente. Estrelas, 1... Corro imediatamente para o pc, de já estava off, e lgiuei-o para ver qul o valor do prémio.
4 números e 1 estrela, deve ser um grande prémio.
Bom não foi muito tendo em vista o grupo, mas que o meu coraçao acelerou, ai,ai.ai.
Foi o prémio maior que recebemos.
Imagine se sai o 1º .Acho que não estou preparada. Sinceramente, não quero ser milionária, mas um milhões davam jeito, oh, se davam
Quanto ao Museu do Oriente, em Abril, nas férias da Páscoa, vou tentar visitá-lo.
A última vez que fui a Lisboa, tive conhecimento da abertura, mas seria uns dias depois da minha viagem.
Bom Ano, Jade.
Beijinho
Jade, baby, please write your damn thesis, will you? I'm glad you go on being you, a curious mind, a bright spirit, but let museums and movies and TV aside for a f*cking while and go to what really matters. Do you want me to be really mad with you, child?
YKW
As Shakira says: Don't bother. Don't bother being mad, or proud, or happy or sad with my choices. I'm perfect on that role. I bother enough for both of us. Have a fantastic 2009,
Kiss
Continuo Atchim, Atchim!
Havemos de lá voltar a esse Museu que visitaram quando eu estiver nas devidas condições.
Ah! Queria dizer uma coisa: um dia numa reunião com especialistas da construção esqueci-me da agenda onde tinha assente todos os meus porquês, sim porque ás vezes tenho os meus dias de porquês.
Ao moderador da reunião(Senhor de idade muito avançada que mostrava muita segurança), apresentei as minhas desculpas dizendo-lhe que tinha esquecido de me fazer acompanhar dos meus apontamentos e que tinha receio de me esquecer de focar algo importante que lá estivesse registado. A sua resposta foi a seguinte: caro amigo quando temos receio de esquecer é porque não nos vamos esquecer.
Eu também estou em péssima forma. Mas sim, por mim, voltamos. E não sei se a tua mulher te contou, mas têm umas maquetes fantásticas, em marfim e madrepérola...Já agora deixa-os mudar de exposição temporária... bjos
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