Pronto, acabou. O primeiro período lectivo terminou, e com ele, três meses de cansaço e emoções. Não cabem aqui as transformações que vieram entretanto, a volta que levou a minha vida. Foi uma montanha-russa de acontecimentos, um desgaste que em Outubro me fazia suspirar por férias e, agora que elas estão à porta, nem sequer grande gozo dão, tal é o trapo que me sinto.
Começa a nostalgia dos colegas que vimos partir em dois anos, de outros que estão agora de malas feitas, e de todos aqueles que vamos deixar dentro de meia-dúzia de meses.
Começa a ansiedade do momento que se aproxima, o momento de roleta-russa em que apostamos o futuro, de forma teoricamente planeada. Os concursos. As vozes que me confundem o espírito. A minha mãe a dizer, fica. Não te mudes para o Algarve, onde não conheces ninguém, não venhas para Lisboa, que te habilitas a ir parar a uma escola a anos-luz da realidade a que estás habituada, longe de mim na mesma, sem qualidade de vida, a arriscar passares horas em filas ou transportes públicos, fica.
Os meus amigos daqui, fica. Já te habituaste a isto, estás integrada, gostamos de ti, fica.
E o medo. O medo de partir para me arrepender mal saiam os resultados. O medo do desconhecido ser muito pior que aquilo que tenho, vou tendo, aqui, nesta cidade de que não gosto, deste ambiente pequenino, desta gente que se conhece de vista e assume que se conhece bem, destas pessoas que nos julgam e condenam, e opinam e criticam. Desta cidade que não nos deixa assentar os cotovelos na mesa e resiste a tudo o que é diferente.
Tudo aqui me oprime e não me deixa respirar. Se respirar melhor noutro sítio, serei mais feliz, longe de tanta gente de quem aprendi a gostar, longe de outros que amo como se fossem meus sem, contudo, o serem?
E depois, há pessoas, pessoas de quem gosto e que sei que gostam de mim, que me dizem, vai. Vai-te embora. Tu és mais que isto, tu mereces melhor, tu tens o mundo à tua espera, e liberdade para o conquistar. Vai. Vai fazer de ti o teu destino maior. E olho para a minha vida estagnada, e dói-me que não me peçam que fique, e queria muito ouvir uma opinião unânime de todos os que amo e me interessam. Gostava que me dissessem todos o mesmo. Para poder seguir os seus conselhos. Para poder, depois, culpar alguém que não seja eu mesma.
Porque a minha vida estagnou, apesar de tudo de novo que estes meses trouxeram. Porque ando há um ano sem encontrar grande sentido para a minha presença aqui. Mas a verdade é que esse sentido, o sentido da minha presença, vai continuar incógnito, seja onde for.
Estou muito triste. Muito angustiada. Não tarda nada os dados vão rolar e, seja qual for o resultado, há coisas que vou perder para sempre. O convívio diário com os meus amigos da escola, todos os do grupo, desse grupo que, vá ou fique, nunca mais vai ser o mesmo. Decidirei ser dos que ficam, ou dos que partem?
Detesto esta minha liberdade de decidir tudo sozinha sem ter que prestar contas a ninguém. O que para uns é um sonho, para outros será sempre uma maldição.
9 comentários:
Compreendo a tua vontade de partir, de fugir deste lugar claustrofóbico. Mas são algumas pessoas que podem fazer este lugar um pouco menos negro, e na escola tu és uma das poucas.
Talvez seja egoísmo da minha parte, mas gostava que ficasses. Já começam a ser demais os que se vão embora.
É difícil imaginar a escola para o ano que vem, prefiro não pensar nisso agora.
Sonho ou maldição, os desafios são muitos.
Cabe á Jade decidir. Por vezes, pensa-se muito, mas na hora toma-se uma decisão. Esta pode ser a mais certa ou a mais errada. Mas a mudança ajuda.
Se não se sente bem por aí, saia.
Afinal Portugal é tão pequeno!
Pense em quem está bem longe,fora do país, porque infelizmente por cá não há oportunidades. A Jade sabe.
Beijinho
House, hoje vim para casa, depois de tanto riso e boa-disposição, e fartei-me de chorar. Obrigada por quereres que fique. A tua opinião conta.
Maria, logo se vê. Portugal não é tão pequeno como parece. À distância de uma escola, na escola do lado, já tudo é muito diferente.
Beijinhos
Jade sweet Jade
Um carinho NIPT
O mundo não acaba no final do ano lectivo... e está sempre em mutação estejamos nós onde estivermos...
...aproveita o que tens agora... vive o agora ... o futuro virá ... com o que escolheres... os verdadeiros amigos são sempre amigos, estejam ao pé de nós ou a continentes de distância.
... não deixes que o medo de ficar ou de partir te atormente, simplesmente enfrenta-o, senão mais tarde ou mais cedo os nossos medos apanham-nos... e simplesmente não vivemos...
...mas que sei eu do que sentes... só sei que vais escolher bem...
Dà uma olhada aqui neste meu post pode ser que acalme os dois que tens dentro de ti:
http://entreanoiteeodia.blogspot.com/2008/12/muitos-eus-um-dono.html
From Inside Me, Um carinho NIPT.
É uma faca de dois gumes. Quer se fique, quer se vá, há sempre aquele pedacinho de nós que se lamenta, que conjectura, que se agarra desesperadamente aqueles 'ses' nos dias mais negros.
Mas o tempo passa, e como dizem "o tempo tudo cura" e apercebemo-nos que a escolha foi acertada. Custou, mas foi. :)
Grande beijinho * e espero que fiques bem num futuro o mais próximo possível. Mesmo, do coração.
Essa é a Cidade de Deus. A tua Cidade de Deus. A que tu baptizaste. A que te oprime. A que te castra. Aquela onde vais ao supermercado aos Sábados e já conheces toda a gente. Aquela de que já conheces as manias e os cheiros. Cidade de Deus. Não é também um bocadinho a Cidade da Jade (até rima)?
Há outras cidades por ai. Que também podem ser tuas. Mas vai demorar um bocadinho mais. O que já conquistaste nunca vais perder. É teu. Sempre.
Não te conheço. Não sei se queres partir ou ficar mas acho que não devo opinar... Conheces a música "boca do mundo" dos mesa? Diz "não se dá boleia a quem precisa de ir a pé..."!
Pelo menos as Cidades de Deus virtuais não mudam de sítio. Vamos estando por aqui.
Feliz Natal (mesmo que não gostes da quadra)! =)
Um 2009 melhor que o ano que passou.
Sol *
O medo é bastante mais angustiante e forte do que a crença que mesmo que verdadeiros e bons os amigos permancem ali bem junto a nós, sempre do nosso lado! Se mesmo perto temos momentos de ruptura, de solidão, de insonia, de insegurança e fragilidade quanto mais entre quilometros e quilometros que parecem nao findar.
O tempo então, esse, nem se fala. Sente-se todos os segundos do mesmo modo que os ultimos do ano, que até contamos um a um!
A incerteza de nós, dos outros invade-nos sem pudor e faz suar as lagrimas que deitamos sem fervor, apenas com a certeza de que em nós, nestes momentos é impossovel ferver o que não sabemos fazer existir!
Um cá, um lá...simplesmente por ai! Seja onde for, as perguntas vão ser as mesmas, as certezas vão surgir nas mesmas incognitas e os sentimentos repetir-se-ão,sempre do mesmo modo.
Por essa razão e por todas aquelas que quando a tristeza incomoda e nos faz pensar, anda com a vida para a frente...deixa rolar!
Longe...
O medo é bastante mais angustiante e forte do que a crença que mesmo que verdadeiros e bons os amigos permancem ali bem junto a nós, sempre do nosso lado! Se mesmo perto temos momentos de ruptura, de solidão, de insonia, de insegurança e fragilidade quanto mais entre quilometros e quilometros que parecem nao findar.
O tempo então, esse, nem se fala. Sente-se todos os segundos do mesmo modo que os ultimos do ano, que até contamos um a um!
A incerteza de nós, dos outros invade-nos sem pudor e faz suar as lagrimas que deitamos sem fervor, apenas com a certeza de que em nós, nestes momentos é impossovel ferver o que não sabemos fazer existir!
Um cá, um lá...simplesmente por ai! Seja onde for, as perguntas vão ser as mesmas, as certezas vão surgir nas mesmas incognitas e os sentimentos repetir-se-ão,sempre do mesmo modo.
Por essa razão e por todas aquelas que quando a tristeza incomoda e nos faz pensar, anda com a vida para a frente...deixa rolar!
Longe...
Bolas, Mira, quem és tu? Fizeste-me chorar e assustaste-me. Conheces-me? Bem, obrigada, anyway. Não ando numa fase nada boa, mas gostei muitíssimo desta intervenção.
Enviar um comentário