Na semana passada publiquei pouco, escritos mais altos se levantaram. Escrevi coisas deliciosas mas impossíveis de servir como posts. A Moção que levou à suspensão da avaliação na minha escola, por exemplo, contou com o meu dedo mindinho. Nada de original ou criativo, mera correcção de gralhas, mas ainda assim, ocupou-me algum tempo e tenho muito orgulho no resultado final. Principalmente porque detesto gente autoritária que esquece que a autoridade que tem lhe foi atribuída nas urnas, pelo povo, e a exerce agora contra as bases de que se serviu para ser eleita. Porque detesto gente desonesta, manipuladora e abusiva. Que fique claro que estou a falar desses portentos que põem e dispõem do ministério de que sou subalterna. E que fazem tábua rasa de cento e vinte mil vozes que pretendem calar com operações de estética para portuguesinho ver, e dizer, ai, que lindo, o ministério recuou, agora os professores têm que ceder também um bocadinho… quando quem cá anda sabe perfeitamente que o ministério não recuou ponta de corno. A ver vamos se nos conseguem dividir, fazendo as costumeiras chantagenzinhas nojentas aos Contratados, que não se podem defender, e aos Executivos, que podem mas não estão para isso, esquecidos que parecem estar de serem, antes de mais, professores como nós.
E escrevi também outras coisas, mais bonitas, mais ternas e meigas, muito honestas e genuínas e, ainda assim, artísticas. “Impublicáveis”. Inconfessáveis nem tanto, já que foram confissões feitas a quem de direito.
Não gosto de deixar nada por dizer. A minha vida são as palavras e adoro dizer tudo, bem esmiuçadinho, o bom e o mau. Detesto ser mal interpretada. Detesto vir para casa com o sabor amargo da injustiça, ou com a sensação de não ter dito poucas e boas a quem merecia e não as ouviu. Odeio engolir sapos. Bicho feio, pá. Tenho sempre muito para dizer. E quando as coisas são boas, ainda gosto mais. Gosto de escrever cartas. Mails. Sms. Prosa poética. Adoro. Na semana passada, houve dois ou três dias em que andei impaciente, envolta em bons e maus sentimentos, coisas que este blogue não comporta, coisas da vida mesmo real, que não dá para despersonalizar, como aqui faço tantas vezes, e a que depois os meus amigos, porque já os tenho dignos desse nome, na escola, me piscam o olho e dizem… aquilo não se passou bem assim, aquela voz não era bem a tua, era a do lado, a da Jade, que tantas vezes advoga o diabo, pois então, e quê? Pode ser-se genuíno sem se ser verdadeiro, a verdade é tão discutível…
Escrevo, então, vejo isso agora, e só me apercebi realmente da sua real dimensão esta semana, dois tipos de textos. Os deste blogue, que podem ser lidos em dois planos: o literal, de quem não me conhece, e serve perfeitamente; e o metafórico, de quem me conhece e dá o desconto às entrelinhas, recebe os recados que vou passando subtilmente, lê muito mais do que aqui vem escrito. E outro tipo de texto, o confessional, a amigos, a amores, a colegas. Despida de cuidados, nua no papel. Gosto disto, da nudez verbal. Faz-me bem, de vez em quando, despir-me das convenções que, mesmo assim, ainda por aqui vou respeitando a um nível que tento ser o menor possível. Não há nada de mais redentor, contudo, que estar a escrever para alguém uma quantidade de atrocidades fruto do meu lado mais sombrio sem me preocupar com o que essa pessoa vai pensar. Sem temer que deixe de gostar de mim. Sem estar sujeita a grandes juízos de valor. Mandar um mail de cabra agressiva cheio de palavrões e coisas que fariam corar as pedrinhas da calçada e receber de resposta um “espero nunca te decepcionar assim, minha querida”. Isto sim. Isto vale a pena. Vale a pena escrever “Adoro-te, ainda bem que estás aí”. Vale a pena escrever como se fosse morrer amanhã, sabendo que se continuar viva nada do que disse me vai fazer sentir envergonhada. Vale a pena.
Acreditem. Quando não escrevo no blogue, estou a escrever coisas que valem mesmo a pena. Estou a sorrir, a rir-me até às lágrimas, a pensar em poemas (o da semana passada era de Manuel Alegre), a descortinar as melhores palavras para expressar o mau e o bom. A descortinar as palavras para falar do específico que vai em mim. Porque o geral, conto eu, muito ao de leve e pela rama, aqui no blogue. Para arranjar temas de conversa convosco. Muito melhor é quando as palavras surgem não para conversar, mas para fazer crescer sentimentos como a cumplicidade, a amizade, o amor, a intimidade, a afinidade. E essas, perdoem-me ausências futuras, são número um na minha lista de prioridades. Mesmo com uma linguagem menos bonita e cheia de palavrões à mistura.
Este texto é, também e acima de tudo, para ti, para te agradecer estares aí, pelo “minha querida”, e pela imensa dificuldade que tens de sair do teu estado on-line, à despedida, e prolongares o adeus com dúzias de intervenções nonsense dignas dos Gato, mas com muita poesia à mistura. Mesmo que negues até ao fim o poeta que tens em ti.
E escrevi também outras coisas, mais bonitas, mais ternas e meigas, muito honestas e genuínas e, ainda assim, artísticas. “Impublicáveis”. Inconfessáveis nem tanto, já que foram confissões feitas a quem de direito.
Não gosto de deixar nada por dizer. A minha vida são as palavras e adoro dizer tudo, bem esmiuçadinho, o bom e o mau. Detesto ser mal interpretada. Detesto vir para casa com o sabor amargo da injustiça, ou com a sensação de não ter dito poucas e boas a quem merecia e não as ouviu. Odeio engolir sapos. Bicho feio, pá. Tenho sempre muito para dizer. E quando as coisas são boas, ainda gosto mais. Gosto de escrever cartas. Mails. Sms. Prosa poética. Adoro. Na semana passada, houve dois ou três dias em que andei impaciente, envolta em bons e maus sentimentos, coisas que este blogue não comporta, coisas da vida mesmo real, que não dá para despersonalizar, como aqui faço tantas vezes, e a que depois os meus amigos, porque já os tenho dignos desse nome, na escola, me piscam o olho e dizem… aquilo não se passou bem assim, aquela voz não era bem a tua, era a do lado, a da Jade, que tantas vezes advoga o diabo, pois então, e quê? Pode ser-se genuíno sem se ser verdadeiro, a verdade é tão discutível…
Escrevo, então, vejo isso agora, e só me apercebi realmente da sua real dimensão esta semana, dois tipos de textos. Os deste blogue, que podem ser lidos em dois planos: o literal, de quem não me conhece, e serve perfeitamente; e o metafórico, de quem me conhece e dá o desconto às entrelinhas, recebe os recados que vou passando subtilmente, lê muito mais do que aqui vem escrito. E outro tipo de texto, o confessional, a amigos, a amores, a colegas. Despida de cuidados, nua no papel. Gosto disto, da nudez verbal. Faz-me bem, de vez em quando, despir-me das convenções que, mesmo assim, ainda por aqui vou respeitando a um nível que tento ser o menor possível. Não há nada de mais redentor, contudo, que estar a escrever para alguém uma quantidade de atrocidades fruto do meu lado mais sombrio sem me preocupar com o que essa pessoa vai pensar. Sem temer que deixe de gostar de mim. Sem estar sujeita a grandes juízos de valor. Mandar um mail de cabra agressiva cheio de palavrões e coisas que fariam corar as pedrinhas da calçada e receber de resposta um “espero nunca te decepcionar assim, minha querida”. Isto sim. Isto vale a pena. Vale a pena escrever “Adoro-te, ainda bem que estás aí”. Vale a pena escrever como se fosse morrer amanhã, sabendo que se continuar viva nada do que disse me vai fazer sentir envergonhada. Vale a pena.
Acreditem. Quando não escrevo no blogue, estou a escrever coisas que valem mesmo a pena. Estou a sorrir, a rir-me até às lágrimas, a pensar em poemas (o da semana passada era de Manuel Alegre), a descortinar as melhores palavras para expressar o mau e o bom. A descortinar as palavras para falar do específico que vai em mim. Porque o geral, conto eu, muito ao de leve e pela rama, aqui no blogue. Para arranjar temas de conversa convosco. Muito melhor é quando as palavras surgem não para conversar, mas para fazer crescer sentimentos como a cumplicidade, a amizade, o amor, a intimidade, a afinidade. E essas, perdoem-me ausências futuras, são número um na minha lista de prioridades. Mesmo com uma linguagem menos bonita e cheia de palavrões à mistura.
Este texto é, também e acima de tudo, para ti, para te agradecer estares aí, pelo “minha querida”, e pela imensa dificuldade que tens de sair do teu estado on-line, à despedida, e prolongares o adeus com dúzias de intervenções nonsense dignas dos Gato, mas com muita poesia à mistura. Mesmo que negues até ao fim o poeta que tens em ti.
8 comentários:
Ah, esqueci-me de um pormenor: gosto que me respondam. Que comentem os meus posts em catadupa, que me mandem sms de resposta às minhas, que entrem em picardias por mail, quer comecem por "Jarra de Girassóis", quer acabem em "Nunca subirás no ranking". Gosto muito de respostas. Há apenas um interlocutor que nunca me responde. Claro que já lhe disse tudo e desisti enfim de dizer seja mais o que for. Perdeu a graça. Todos os outros têm imensa. Incluindo os leitores e comentadores deste blogue. Beijos a todos
Ele disse-lhe que sim, que dentro daqueles caixotes todos espalhados tinha uma manta quentinha, que o seu pai tinha surripiado numa viagem de avião, uma manta perfeita para aquele prematuro pôr-do-sol do início de Março. Ela aceitou e pediu só mais uma coisinha: que trouxesse os seus cigarros, o seu fogo de artifício para celebrar aquele fim de dia. Ele disse que faria mais: traria o champanhe deles, aquela garrafa de martini que já há tanto tempo tinha sido encomendada...
Pan
Porque mesmo na poesia, a teimosia masculina impera, ela corrige: "uma manta perfeita para aquele prematuro pôr-de-sol de inícios de JUNHO"...
O resto está perfeito. Just like everything else about us.
I miss your letters. And mails. I miss your personal writing. Write me soon.
Y K W
Fantástica esta cumplicidade entre a Jade e o anónimo.
O post está perfeito.
Gosto da sinceridade, da cumplicidade, da sensibilidade com que os dedos percorrem o teclado do pc. ( faço-o todos os dias, também, com alguém que eu quero muito).
Obrigado por estas palavras . Senti-as muito.
P.S.: Write, ASAP, to your friend.He needs you...
Enquanto escrevia este post, lembrei-me de si. Não a conheço, mas sei que tem uma relação importante que vive do teclado. A minha não. Complementa-se com ele, mas felizmente estamos juntos muitas vezes. É uma pessoa que me faz bem. Há muito virei costas às que me fazem mal. Quanto ao YKW... quando puder, escrevo, inspiração é imprescindível. Beijinhos
Amigos, Amor, Educação, Escola, Escrita. Sao as TAGS deste post... apesar de tantos "temas" parece.me, apesar de tudo, o post mais intimista que li aqui até hoje.
Dá vontade de nem comentar porque me sinto uma estranha em propiedade privada a olhar para uma bela casa e jardim cujos donos não conheço. :)
Intimista... é mesmo isso. Estou a viver momentos muito mágicos de intimismo. É fenomenal, e deixa-me muito feliz. Porque melhor que dizer coisas bonitas é ouvi-las, ou vê-las escritas, sem estar à espera. Os insultos passam-me completamente ao lado, alguns até me envaidecem, outros fazem-me rir, mas os elogios... esses dão cabo de mim. Estou numa boa fase, a nível pessoal. Já quando se trata de trabalho... tu sabes o que andamos a comer.
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