quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Ataques de Riso

No meio da confusão em que se transformou a minha vida nos últimos dias, não me posso queixar. Isto, porque sempre fui uma pessoa divertida. O meu mau humor inato e intrínseco faz rir quem me ouve vociferar. Quanto mais furiosa estou, mais se multiplicam as gargalhadas à minha volta. E as gargalhadas são contagiosas, fazem-me rir por solidariedade. E passam-me logo a fúria e o mau humor, dissolvidos no nonsense.
A verdade tem que ser dita, estes últimos dias têm sido ricos em ataques de fúria. E adivinhem lá: são ataques de fúria em grupo. Desta vez não sou só eu a soltar a língua viperina. Não sou só eu a berrar que nem uma descontrolada. Não sou só eu a dizer palavrões. E, depois disso, não sou só eu a rebentar a rir.
Cheguei tardíssimo hoje a casa, para variar. Vinha esganada de fome e envenenada de cansaço. Vinha revoltada com este sistema completamente obtuso. Vinha em pulgas por uma pizza ao domicílio. Entrei em casa a resmungar com o tempo, e a Mzinha já tinha o jantar quase pronto, e lá se adiou a pizza. A cena não prometia nada de bom, com testes para fazer, outros por corrigir, milhares de tarefas a cumprir. Ainda de casaco vestido, olho para o telemóvel e verifico ter várias chamadas não atendidas. Quando ligo de volta, o interlocutor não demora três segundos a desatar aos gritos, a insultar toda a gente parva com que temos que conviver e, claro, comigo a não resistir e a juntar-me de imediato ao coro de protestos em uníssono. Passámos que tempos nisto, a gritar ao desvario, com a Mzinha a assistir e, claro, a rir-se. Foi uma experiência regeneradora. Deu para jantar a seguir, ainda de casaco vestido, mas muitíssimo mais bem disposta. Depois, fui trabalhar, pois, e a neura voltou.
Nem de propósito, com tudo já pronto para a ordem de impressão, liga-me outro. Nem dois minutos depois, já insultávamos alegremente mais quinhentos. Já falávamos em voz bem mais alta do que seria correcto e suposto, já fazíamos terapia de grupo a dois, (com a Mzinha a assistir, e a rir-se...) sem álcool mas a imitar bem a sua presença.
Quando desliguei, sentia-me leve pela segunda vez esta noite. E foi então que fui ao mail. E o cansaço do trabalho, a irritação com a avaliação, a neura do que se empilha por fazer, as preocupações com amigos, todas as chatices dos últimos dias, tudo isto se juntou em mistura alquímica. Alguns mails e outros tantos comentários a este blogue funcionaram de rastilho a um ataque de riso incontrolável. Uma explosão de riso alarve, imparável, irreprimível. Ri-me até me doerem a barriga e os maxilares. Chorei, literalmente, a rir. E agradeci profundamente a todos os que me mandam palavras hilariantes para o mail. São esses que zelam pela minha saúde mental. São também esses, os que me fazem rir e me aumentam as endorfinas e a auto-estima, que permitem que me deite hoje cheia de esperança.
Porque foi a rir que percebi que vai ficar tudo bem. Que os momentos difíceis, por que passam agora alguns dos meus amigos mais próximos e queridos, e eu com eles, vão passar. Entre gritos, palavrões e insultos ditos em conjunto. Entre pessoas que nos fazem ganhar o dia, a compensar os mares de gente estúpida que temos de engolir de manhã à noite. E entre os ataques de riso a ditar os pontos finais.

8 comentários:

Dr.House disse...

Desculpa, mas insultar alguém é dizer dele aquilo que ele não é, é levantar suspeitas sobre a sua integridade, é acusá-lo daquilo que não fez. Dizer de alguém aquilo que ele é não é um insulto, é uma constatação.
Dizer que alguém é cobarde porque se resigna à primeira ameaça só será insulto se não for verdade. Dizer que os princípios estão fora de moda, que a integridade moral foi chão que já deu uvas, que as alforrecas são uma espécie em franca expansão, isso sim é verdade, e como tal não ofende ninguém. Desculpa os desabafos e a refeição fria, mas há alturas em que se não falamos, rebentamos. E penso que seria uma estupidez rebentar por causa de gente tão pouco vertical.
Há um ditado que diz que não se deve gastar tanta vela com tão ruím defunto. Não podemos deixar que os defuntos nos puxem para o pé deles, e nos anestesiem com o seu hálito.

Jade disse...

Olá, jovem House. Ainda a pé? Não me peças desculpas, rapaz, ultimamente tens tido das melhores tiradas dos meus dias. Tens alguma lista escondida de pensamentos elevados? Primeiro, o jantar não estava frio; depois, podes ter a certeza que é reconfortante encontrar nos outros as mesmas repugnâncias que nós temos e toda a gente nos critica por isso, com comentários idiotas. Eu tendo a ferver em pouca água, com as alforrecas a que te referes. E tens razão, não são insultos, não.Mas exactamente por não se dever gastar velas com fracos defuntos, o riso chega em nosso auxílio, sabes? O ridículo, os -inhos, os invertebrados, acabam por nos atingir só de lado, e fazem-nos cócegas à essência. Não me peças desculpa. Estou-te grata. Consegues imaginar o que seria tudo isto sem outros que pensassem como nós, os viperinos?
Beijos

Shadow disse...

hoje nem digo nada, deixo só isto:

http://www.elmundo.es/elmundosalud/2008/12/04/neurociencia/1228418394.html

Alexandra disse...

Rir ainda é o melhor remédio. Para tudo, minha querida.
Beijinho grande *

(Já te passou a inveja? :P)

CarolinadoMónaco disse...

Quando ouvi dali dizer que o nome do novo post se chamava ataques de riso, tive uma imagem cinematrográfica dos melhores trambolhões do século passado. E também das melhores tiradas do milénio. Rir sem razão é muito bom.
Lembro-me sempre do Belchior rindo na cara do coelho da Páscoa... Coelhinho se eu fosse como tu, guradava a avaliação na gaveta e metia férias na terra dos kangurus.
Beijinhos de princesa.

Sol disse...

Jade:

Eu rir é mesmo com os nervos... Sem hipótese!

Começo a falar que pareço uma metralhadora apontada à cara do desgraçado do interlocutor e a rir que nem uma perdida...

Em relação à língua viperina... Nem queiras saber lol Mas nisto concordo com o House, eu não insulto ninguém.

Sou é uma gaja perspicaz a constatar factos. Demasiado perspicaz para o meu próprio bem. =) lol

Uma pessoa precisa de descarregar.

Ahhh já expliquei no blog a minha ausência da blogosfera... Era a minha irmã, foi sempre a minha irmã...

Beijinhos *

Sol

Inside me disse...

Existe o ditado que diz quem canta seus males espanta...e o riso o que é...senão cantos de alegria...hehehe.

...sorrir...sorrir...é o principio do riso... e os males... os males??...

... são risos... espantam os males...

Sorrisos para ti

teia d'aranha disse...

Eu tenho um lema que é: só me aborreço, só me incomodo com as pessoas que são importantes para mim; só tomo em consideração as opiniões a meu respeito daqueles que fazem parte integrante da minha vida.
O que vem de fora, seja o fel ou a simpatia fingida, é-me completamente indiferente. Não gasto energia com quem pessoas que não merecem. Essas é que passam a ser invisíveis.

Feito isto... the show must go on!